sexta-feira, 9 de outubro de 2026

LIVRO NEM TUDO DEVE SER CONTADO

 

LIVRO NEM TUDO DEVE SER CONTADO

A sabedoria de guardar a vida, proteger o coração e confiar somente a quem merece

Autor: Carlos Alberto Cândido da Silva

Ministério: Assembleia de Deus Providência do Céu

Contato: (11) 95725-5927

Data: 09/10/2026

DEDICATÓRIA

Dedico este livro a todo filho de Deus que já sofreu por ter aberto demais o coração a ouvidos errados, que já expôs sua vida e seus problemas a quem não deveria e colheu dor em lugar de auxílio. 

Que estas páginas sejam como um muro de proteção sobre a sua vida, ensinando-lhe a distinguir entre ouvidos que oram e ouvidos que julgam, entre mãos que acolhem e bocas que espalham. 

Que o Senhor lhe dê sabedoria para guardar o que é sagrado e compartilhar somente com quem tem cuidado com a sua alma.

SUMÁRIO

Capítulo 1 — O perigo de abrir demais a porta do coração 

Capítulo 2 — Deus sabe tudo e mesmo assim nos ama 

Capítulo 3 — O pastor é o anjo da igreja — a confiança que tem base 

Capítulo 4 — Por que falamos demais? A raiz da necessidade de ser ouvido  

Capítulo 5 — A família e o casamento: o que acontece entre vocês fica entre vocês  

Capítulo 6 — Nem todo mundo que pergunta torce por você 

Capítulo 7 — O silêncio como fortaleza: os segredos que Deus guarda conosco  

Capítulo 8 — Privacidade não é esconder, é proteger 

Capítulo 9 — Planos em Deus: não anuncie antes do tempo 

Capítulo 10 — Viver sem plateia: a paz de agradar somente a Deus 

Oração final


CAPÍTULO 1

O PERIGO DE ABRIR DEMAIS A PORTA DO CORAÇÃO

“O tolo revela todo o seu sentimento, mas o sábio o guarda e emudece.” — Provérbios 29:11

Existe um perigo silencioso que tem ferido muitas vidas dentro e fora da igreja: a necessidade de contar tudo a todos. 

Vivemos num tempo em que as pessoas acham que precisam explicar cada passo, cada dor, cada luta e cada decisão. 

Mas a Palavra de Deus nos ensina que não é assim. 

Há uma linha muito clara entre partilhar e expor, entre buscar auxílio e esvaziar o coração em ouvidos que não cuidam.

Muitos de nós já cometemos o erro de chegar à casa de alguém, sentar, e ir dizendo tudo. 

Falamos das brigas com o esposo ou a esposa, das dificuldades dos filhos, das frustrações no trabalho, dos sonhos que ainda não se realizaram. 

Contamos os detalhes, as mágoas, as palavras duras que ouvimos. 

E saímos de lá aliviados, achando que fizemos bem. Mas com o tempo, descobrimos que aquelas mesmas palavras voltaram transformadas, aumentadas, julgadas, espalhadas. 

O que era dor virou fofoca. 

O que era segredo virou assunto de outras casas. 

O que era para ser socorro virou exposição.

A Bíblia alerta com clareza: “Aquele que anda falando levianamente revela o segredo; portanto, não te metas com quem abre os lábios demais” (Provérbios 20:19).

Quando contamos nossa vida a pessoas erradas, não estamos apenas entregando informação — estamos entregando pedaços da nossa dignidade. 

Estamos dando a alguém o poder de nos julgar, de nos rotular, de usar as nossas próprias palavras contra nós amanhã.

Pense bem: nem todo mundo que ouve deseja resolver. 

Algumas pessoas só querem saber para ter o que falar. 

Elas não carregam a sua dor; elas apenas a repetem. 

O problema não é o coração partido — o problema é entregar os cacos a quem vai jogá-los no chão de novo.

Deus nos deu a boca para falar no momento certo, na medida certa e para as pessoas certas. Não é orgulho calar.

Não é frieza guardar. 

É sabedoria. 

O seu casamento, os seus filhos, as suas lutas íntimas — essas coisas são sagradas. 

Quando você as leva para qualquer ouvido, está profanando o que Deus lhe confiou. 

Antes de contar, pergunte: essa pessoa vai orar por mim? Vai me orientar na Palavra? 

Vai guardar isto no silêncio? 

Se a resposta não for sim, feche a boca. 

O silêncio dói menos do que a traição de uma confidência espalhada.

CAPÍTULO 2

DEUS SABE TUDO E MESMO ASSIM NOS AMA

“Senhor, tu me sondas e me conheces… tu conheces todos os meus caminhos.” — Salmo 139:1, 3

Há Alguém que sabe tudo sobre você e não precisa que você explique nada. 

Ele conhece a sua dor antes de você pronunciar uma palavra. 

Ele sabe o que se passa dentro do seu lar, o que dói no seu coração, o que ninguém mais vê. 

E mesmo sabendo tudo, Ele continua te amando.

Muitas vezes corremos de porta em porta procurando alguém que nos entenda, sem perceber que Deus já nos entende perfeitamente. 

Você não precisa encenar para Ele, não precisa esconder, não precisa amenizar a verdade. Pode dizer tudo — a raiva, a decepção, a fraqueza, a dúvida. 

Ele não se escandaliza com a sua sinceridade.

 A Palavra diz: “O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os que têm o espírito contrito” (Salmo 34:18). 

Deus não se afasta quando você fala a verdade sobre si mesmo; Ele se aproxima.

Quando você conta os seus problemas para Deus, a diferença é esta: Ele não divulga. Ele não compara. 

Ele não julga para te rebaixar. 

Ele ouve para te restaurar. 

Jesus convida: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). 

Não é preciso arrumar as palavras. 

Não é preciso parecer forte. 

Chegue como está. Diga o que sente. 

Ele já sabia, mas quer ouvir de você.

Muitas pessoas vivem decepcionadas porque esperam dos seres humanos aquilo que só Deus pode dar: compreensão total, aceitação sem condições, silêncio fiel. 

Quando você deposita essa expectativa em pessoas, vai se machucar. 

O ser humano é falho. Mesmo os melhores podem falhar ao guardar. 

Mesmo os mais bem-intencionados podem interpretar mal. 

Mas Deus nunca falha. Leve primeiro tudo a Ele. 

Antes de falar com qualquer pessoa, fale com o Senhor. 

Muitas vezes, depois de derramar o coração diante dEle, você percebe que nem precisa contar a mais ninguém — porque já encontrou a paz que procurava.

CAPÍTULO 3

O PASTOR É O ANJO DA IGREJA — A CONFIANÇA QUE TEM BASE

“Obedecei aos vossos guias e sede submissos, pois eles velam pela vossa alma, como quem deve prestar contas.” — Hebreus 13:17

Quando a carga é pesada demais para carregar sozinho diante do Senhor, Deus deixou provisão: colocou pastores sobre a sua vida, homens segundo o coração dEle, que devem cuidar de você com amor e fidelidade. 

A Bíblia chama o pastor de “anjo da igreja” (Apocalipse 2 e 3). 

Não é um anjo alado, mas sim um mensageiro enviado por Deus para guiar, orientar, proteger e acolher.

Há uma diferença enorme entre contar a vida para qualquer pessoa e abrir o coração para um pastor de confiança. 

O primeiro pode espalhar; o segundo deve guardar. 

O primeiro pode julgar; o segundo deve orientar na Palavra. 

O primeiro pode comparar; o segundo deve te levar a Cristo.

Mas é preciso entender: nem todo que diz “sou pastor” merece a sua confiança. 

A confiança se constrói com tempo, com fidelidade à Palavra, com vida reta, com cuidado verdadeiro pelas almas. 

O pastor de confiança é aquele que ora por você fora da sua presença, que não usa o que você diz para se promover, que não fala da sua vida com outros. 

Ele guarda a sua confidência como um sacramento. 

Se você encontrou alguém assim, Deus te deu um presente raro.

A Bíblia diz: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te apóie no teu próprio entendimento” (Provérbios 3:5). 

E também: “Onde não há orientação, cai o povo; mas na multidão de conselheiros há segurança” (Provérbios 11:14). 

O pastor é esse conselheiro principal. Quando houver necessidade, abra-se com ele. Fale da luta, da dúvida, da dor. 

Mas mesmo assim, não é preciso contar cada detalhe a todo instante. 

O pastor não é quem resolve tudo por você — é quem te aponta Aquele que resolve. 

Mesmo ao falar com ele, faça com oração, com respeito e com a certeza de que ele levará tudo a Deus em silêncio.

E lembre-se: a confiança é sagrada. 

Se alguém revela a um pastor algo íntimo, e esse pastor espalha, ele responde a Deus por isso. 

Mas também responde quem confia sem orar, quem conta a qualquer um que usa o título. Peça sabedoria. 

Ore por quem vai te ouvir. 

E entregue a chave do seu coração somente a quem tem mãos limpas e coração reto diante de Deus.

CAPÍTULO 4

POR QUE FALAMOS DEMAIS? A RAIZ DA NECESSIDADE DE SER OUVIDO

“O que vigia a sua boca guarda a sua alma; mas o que abre demais os lábios vem à ruína.” — Provérbios 13:3

Por que temos tanta vontade de contar tudo? 

Muitas vezes, há uma ferida por trás disso. Talvez crescemos sem sermos ouvidos. 

Talvez sentimos que, se não falarmos, ninguém percebe que existimos. 

Talvez a solidão nos faz procurar em qualquer rosto o olhar que nos acolha. 

Falar demais pode ser um grito de atenção, uma tentativa de preencher o vazio, uma esperança de que alguém diga “eu te entendo”.

Mas a Palavra nos ensina que a nossa identidade não está em quem nos ouve, mas em 

Quem nos criou. 

Você é valioso porque Deus te conhece, não porque alguém te escuta. 

Quando buscamos nos outros aquilo que só Deus pode dar — valor, aceitação, reconhecimento — nos tornamos vulneráveis. Ficamos expostos. 

Corremos de um lado para o outro contando a história, e cada vez que alguém se afasta, sentimos que perdemos algo de nós mesmos.

O apóstolo Pedro escreveu: 

Humilhai-vos, pois, sob a poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5:6–7). 

Quando você aprende a lançar sobre Deus tudo aquilo que pesa, a boca se acalma. 

Não é mais preciso provar que dói, porque Ele já sente. 

Não é mais preciso pedir atenção, porque Ele já está atento. 

Não é mais preciso contar para ser visto, porque Ele nunca tira os olhos de você.

Reflita: quando você conta tudo a todos, está buscando solução ou está apenas desabafando? 

Desabafar sem critério é como abrir uma ferida todos os dias e deixar pessoas passarem e tocarem. 

Não cicatriza. Piora. 

Aprenda a levar primeiro a Deus.

E se precisar de alguém, que seja a pessoa certa, no momento certo, com a oração certa. 

Não seja escravo da sua própria língua. Domine-a. O Senhor nos ensina:

Quem é que ama a vida e deseja ver dias bons? 

Guarda a língua do mal e os lábios de falarem enganos” (Salmo 34:12–13). 

Controle vem de dentro. Vem quando você sabe que Deus já ouviu.

CAPÍTULO 5

A FAMÍLIA E O CASAMENTO: O QUE ACONTECE ENTRE VOCÊS FICA ENTRE VOCÊS

“O que acontece entre ti e a tua mulher, não o reveles a outrem.” — Baseado em Provérbios 25:9 e na fidelidade conjugal

Existe um princípio sagrado que muitos têm esquecido: o lar é um espaço de proteção, não de exposição. 

O que acontece entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre as paredes do seu lar, não deve ser levado para fora. 

Muitas pessoas destroem o próprio casamento ao contar a terceiros as falhas do esposo ou da esposa. 

Pensam que estão desabafando, mas na verdade estão rasgando a honra de quem deveriam proteger.

A Bíblia diz: “Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja e se entregou a si mesmo por ela” (Efésios 5:25). E às mulheres: 

Respeita o seu marido” (Efésios 5:33). 

Amar e respeitar inclui proteger a imagem do outro. 

Se você conta ao vizinho, à irmã, à amiga ou a qualquer pessoa o que o seu cônjuge fez ou disse em casa, não está amando — está expondo. 

Não está protegendo — está ferindo. 

Mesmo quando há dor, mesmo quando há erro, a fidelidade cobre, não descobre; cura, não denuncia fora de casa.

O apóstolo Pedro ensina: “Sede todos de uma só mente, compassivos, amando os irmãos, misericordiosos, afáveis” (1 Pedro 3:8). 

E logo fala sobre o casamento: para que as orações não sejam impedidas (v. 7). 

Sabia que expor o seu lar pode atrapalhar a sua comunhão com Deus? 

Quando você fala mal de quem divide a vida com você, está ferindo a aliança sagrada que Deus firmou. 

Os conflitos existem — em todos os lares. 

Mas a resolução é entre vocês e Deus, não entre vocês e a vizinhança.

Cuidado também com os filhos. 

Não fale das falhas deles para todos. 

Não exponha a dor da família em redes ou conversas casuais. 

Eles são herança do Senhor (Salmo 127:3), e herança se protege, não se exibe. Os erros dos seus entes queridos não são notícias para os outros — são orações para você. 

Antes de contar, pergunte: isto vai edificar? 

Vai proteger? 

Vai honrar Deus e essa família? 

Se não, cale. 

O silêncio é uma das maiores provas de amor que você pode dar ao seu lar.

CAPÍTULO 6

NEM TODO MUNDO QUE PERGUNTA TORCE POR VOCÊ

“Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia o meu pão, levantou contra mim o calcanhar.” — Salmo 41:9

É duro de ouvir, mas é verdade: nem todo mundo que pergunta “como vai você?” deseja saber de verdade. 

Algumas perguntas são iscas. 

Elas esperam que você fale demais para ter o que comentar. 

Há olhares curiosos que não são de carinho, mas de julgamento. 

Há ouvidos que parecem atentos, mas na verdade estão coletando detalhes para levar adiante.

Jesus mesmo passou por isso. 

Muitos perguntavam coisas não para aprender, mas para o condenar (Mateus 22:15–18). 

Se pessoas fizeram isso com o próprio Cristo, não estranhe que façam com você. 

A Bíblia adverte: “O homem mau cava a maldade, e nos seus lábios há como que um fogo aceso” (Provérbios 16:27). 

Há pessoas que se alimentam dos problemas alheios. 

Enquanto você fala, elas parecem solidárias; depois que você vai embora, elas analisam, criticam, aumentam e espalham.

Aprenda a reconhecer os sinais: a pessoa que sempre pergunta dos outros, que vive comentando a vida de quem não está presente, que faz perguntas indiscretas sem compartilhar nada de si mesma — essa pessoa não é um porto seguro. 

Quem não guarda segredo alheio, não guarda o seu também. 

O princípio é claro: 

Não te associies com o que fala levianamente, e com o que anda falando de outrem não te mistures” (Provérbios 20:19).

Não seja cruel ao perceber isso — seja sábio. Responda com bondade, mas não entregue a sua intimidade. Diga: “estou bem, graças a Deus”, “temos caminhado com o Senhor”, “confiamos que Deus está cuidando”. 

Não precisa ser rude; precisa ser reservado. 

A verdadeira amizade não exige que você esvazie o coração a cada conversa. 

Ela respeita o seu tempo, o seu silêncio e a sua confiança. Deixe que Deus mostre quem é de verdade. 

E enquanto não tem certeza, guarde. 

A sua vida não é matéria de curiosidade — é obra de Deus. Deixe Ele a conduzir, sem plateia.

CAPÍTULO 7

O SILÊNCIO COMO FORTALEZA: OS SEGREDOS QUE DEUS GUARDA CONOSCO

“Deus, tu és um Deus que fazes maravilhas… fizeste conhecido o teu poder entre os povos.” — Salmo 77:13–14, mas no tempo certo

Há segredos que são somente entre você e Deus. Coisas que Ele falou ao seu coração, promessas que ainda não se cumpriram, lutas que ninguém entenderia porque não foi chamado para entender. 

Guardar isso não é orgulho — é reverência. Quando algo é sagrado, não se expõe. 

O profeta Samuel ouviu de Deus e guardou no coração (1 Samuel 3:19). 

Maria, a mãe de Jesus, “conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração” (Lucas 2:19). 

Ela não correu para contar a todos — ela guardou e esperou.

O silêncio protege os sonhos que Deus plantou em você. 

Enquanto você fala demais sobre o que ainda não aconteceu, o inimigo usa pessoas, palavras e dúvidas para esfriar a sua fé. 

Mas quando você cala e deixa Deus trabalhar sem anúncios, a obra cresce protegida. 

A Bíblia diz: “O que observa o mandamento guarda a sua alma; mas o que despreza os seus caminhos morrerá” (Provérbios 19:16). 

Guardar o que Deus está fazendo é obedecer. Há tempo de falar e tempo de calar (Eclesiastes 3:7). 

Muitas vezes, calar é mais obediente do que falar.

Pense nos grandes homens da Bíblia: 

José sonhou, mas não falou com sabedoria, e sofreu. Depois aprendeu que nem tudo deve ser dito logo. 

Moisés encontrou Deus numa sarça e seguiu a ordem sem consultar multidões. 

Jesus mesmo, quando a multidão queria fazê-lo rei, retirou-se sozinho (João 6:15). 

Ele não precisava de aprovação pública para saber quem era. 

Você também não precisa. 

Quando Deus fala ao seu coração, não corra para contar. Ore, confirme na Palavra, espere o tempo dEle. 

Deixe que a confirmação venha do céu, não dos aplausos da terra. 

O silêncio é um escudo que Deus coloca sobre os seus. Fique nele.

CAPÍTULO 8

PRIVACIDADE NÃO É ESCONDER, É PROTEGER

“Tudo tem a sua hora, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” — Eclesiastes 3:1

Muitas pessoas confundem: acham que viver em silêncio sobre a própria vida é esconder algo errado. 

Não é! É proteger algo valioso. 

Você não esconde uma jóia — você a guarda. 

Não esconde uma criança — você a protege. 

Assim é com a vida que Deus lhe deu. 

Há coisas que são preciosas demais para ficar exposta ao vento, ao sol forte, ao olhar de quem não cuida.

A Palavra diz: “Guarda o teu coração com toda a diligência, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23). 

Guardar não significa fechar-se para o amor, para a ajuda ou para a comunhão. 

Significa escolher com sabedoria o que sai e o que fica. 

Privacidade é dizer: isto é meu e de Deus, e ainda não está pronto para ser mostrado. 

É respeitar o processo. 

É entender que cada flor desabrocha no seu tempo, e se você abre o botão à força, a flor se destrói.

Não precisa provar para ninguém que você é feliz, que está vencendo, que Deus está agindo. 

Quem precisa provar, busca valor fora de si. Quem descansa em Deus, encontra valor dentro, na certeza de que Ele sabe e está cuidando. 

Jesus ensinou: “Cuidai, porém, de vós mesmos, para que o vosso coração nunca se sobrecarregue…” (Lucas 21:34). 

Parte desse cuidado é não expor a vida a julgamentos desnecessários. 

Viva de forma honesta, transparente diante de Deus e dos que realmente te amam, mas sem precisar de plateia. 

Quando alguém diz “por que você não conta nada?”, responda com mansidão: “estou aprendendo a guardar o que Deus está fazendo”. 

Isso não é distância — é maturidade.

CAPÍTULO 9

PLANOS EM DEUS: NÃO ANUNCIE ANTES DO TEMPO

“Confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade. Delicia-te também no Senhor, e ele te concederá os desejos do teu coração.” — Salmo 37:3–4

Quantos projetos, sonhos e mudanças foram anunciados antes do tempo e nunca aconteceram? 

Não porque Deus falhou, mas porque a obra foi exposta cedo demais. 

Quando você conta os planos antes de estarem firmados nas mãos de Deus, expõe a semente antes de criar raiz. 

O vento da dúvida, a chuva da crítica e o sol forte da ansiedade podem matar o que ainda estava brotando.

A Bíblia nos mostra que Deus age e depois revela. 

Não o contrário. “Fui encontrado pelos que não me perguntavam; fui manifestado aos que não me buscavam” (Isaías 65:1). 

Muitas vezes, a melhor forma de testar se um plano é de Deus é calar e observar: 

Ele confirma sem precisar da sua propaganda. 

O apóstolo Paulo não consultou carne e osso nem foi perguntar a ninguém antes de seguir a direção de Deus (Gálatas 1:15–17).

 Ele esperou, confirmou, e só depois compartilhou com quem deveria.

Antes de falar sobre mudança, casamento, trabalho, cura ou renovação, leve tudo ao altar. Deixe que Deus aprove primeiro. 

Se Ele quiser que outros saibam, Ele vai mostrar o momento certo. 

E quando o momento chegar, fale com humildade, dando toda a glória a Deus, sem ostentação. 

Não vos glorieis no rosto dos homens… cada um receberá de Deus o seu próprio louvor” (1 Coríntios 4:5). Seja paciente. O que Deus planta, Ele faz crescer mesmo em silêncio. E quando aparecer, será firme, porque as raízes cresceram escondidas, fortes e profundas.

CAPÍTULO 10

VIVER SEM PLATEIA: A PAZ DE AGRADAR SOMENTE A DEUS

“Se eu ainda procurasse agradar aos homens, não seria servo de Cristo.” — Gálatas 1:10

Chega um momento na vida do filho de Deus em que a opinião dos outros deixa de ser o centro. 

Não porque nos tornamos indiferentes — mas porque aprendemos que só temos uma conta a prestar, e é diante do Senhor. 

Viver sem plateia é isto: não precisar ser visto para saber que existe. 

Não precisar ser elogiado para saber que vale. Não precisar de aprovação para seguir o caminho.

Jesus viveu assim. 

Muitos o deixaram. 

Muitos o criticaram. 

Muitos o julgaram. 

E Ele seguiu o Pai mesmo assim. 

Porque sabia que a sua vida não dependia do aplauso humano, mas da comunhão com o Céu. 

Você também pode viver assim. 

Quando entender que Deus te conhece, te ama e está satisfeito com você — não importa quem fica ou quem sai, quem fala bem ou fala mal.

 Você está firme.

A Palavra diz: “O Senhor te guardará de todo mal; ele guardará a tua alma. 

O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre” (Salmo 121:7–8). 

Esta é a verdadeira proteção: não nas paredes, não nas portas fechadas, não nas palavras escondidas — mas no Senhor. 

Ele guarda a sua vida melhor do que qualquer silêncio. 

Mas Ele também quer que você coopere: escolha bem a quem abre o coração. 

Fale com Ele primeiro. Confie no pastor que Ele enviou. 

E guarde o que é sagrado com carinho e oração.

No fim, a maior lição é esta: 

Deus não precisa que você explique a Ele. 

Não precisa que você convença os outros. Precisa apenas que você confie, obedeça e caminhe. 

Deixe que a sua vida fale por si, com atos de amor, fidelidade, oração e paz. 

E quando alguém perguntar como você consegue viver assim, sorria e diga:

Não sou eu — é Ele que cuida”. E isto basta.

ORAÇÃO FINAL

Senhor Deus, Pai de toda sabedoria, venho diante de Ti reconhecer que muitas vezes falei mais do que devia, abri o coração a quem não cuidou, e expus o que era sagrado. 

Perdoa-me. Ensina-me a guardar os meus lábios como um tesouro que pertence a Ti. 

Dá-me olhos para ver quem realmente torce por mim e ouvidos para reconhecer a Tua voz antes de qualquer outra.

Obrigado porque Tu sabes tudo e mesmo assim me amas. 

Ajuda-me a levar primeiro a Ti cada dor, cada dúvida, cada sonho. 

E quando precisar de auxílio humano, guia-me ao pastor que colocaste na minha vida com espírito de oração e confiança. 

Protege o meu lar, as minhas palavras e os meus passos. 

Que eu aprenda a viver sem plateia, agradando somente a Ti. 

Em nome de Jesus, amém.

PALAVRA FINAL

Meu querido irmão, minha querida irmã: nem tudo precisa ser contado. 

A sua vida é preciosa demais para ficar nas mãos de qualquer um. 

Deus cuida de você — dia e noite, na presença de todos e quando ninguém está vendo. 

Confie nEle. Guarde o que é seu. 

E deixe que Ele faça — no silêncio, no tempo certo e para a glória do Seu nome.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LIVRO NEM TUDO DEVE SER CONTADO

  LIVRO NEM TUDO DEVE SER CONTADO A sabedoria de guardar a vida, proteger o coração e confiar somente a quem merece Autor: Carlos Alberto Câ...