terça-feira, 6 de outubro de 2026

LIVRO A MULHER DE JÓ

 

LIVRO A MULHER DE JÓ

Da Dor Que Fala À Fé Que Permanece

Autor: Carlos Alberto Cândido da Silva

Ministério: Assembleia de Deus Providência do Céu

Contato: 11 95725-5927

 Data: 06/10/2026

DEDICATÓRIA

Este livro é dedicado a todos os corações feridos que, em meio à perda e à dor, encontram dificuldade para entender os caminhos de Deus. 

Às mães que choraram, aos lares que foram abalados e a cada um que, sentado entre as cinzas, ouviu palavras que não vieram da fé — este lembrete: Deus não abandona ninguém. 

Ele ouve o gemido que não tem palavras e sustenta quem não tem mais forças. 

A Sua restauração é real, e o Seu amor permanece para sempre.

SUMÁRIO

Capítulo 1 — Um Lar Perfeito Que Desapareceu Num Dia

Capítulo 2 — Ao Lado Dele, Uma Mãe Que Também Perdeu Tudo

Capítulo 3 — As Palavras Que Nascem Da Dor

Capítulo 4 — Jó Respondeu Sem Perder A Integridade

Capítulo 5 — Por Que A Dor Faz Falar Coisas Que Não Sentimos?

Capítulo 6 — O Silêncio De Deus E A Fidelidade Do Crente

Capítulo 7 — "Antes Ouvia, Agora Vejo" — O Encontro Verdadeiro

Capítulo 8 — Filhos Não São Bens Que Se Duplicam

Capítulo 9 — A Restauração Que Ninguém Esperava

Capítulo 10 — Não Deixe A Dor Apagar A Sua Fé

Oração Final


 ............MENSAGEM DO LIVRO............

A esposa de Jó não foi apenas quem falou errado.

Foi uma mãe que perdeu dez filhos,

uma mulher que viu o marido definhar,

um coração que sentiu a dor sem medida.

Mas também foi quem permaneceu

e presenciou a fidelidade de Deus.

Se hoje você não consegue compreender,

não desista.

A dor que fala alto hoje

pode ser substituída pela graça que canta amanhã.

Deus não apaga o seu passado.

Ele escreve um futuro novo.

E os que parecem ter desaparecido

estão seguros na mão dEle.

Não deixe a dor apagar a sua fé.

O Senhor restaura. O Senhor consola.

O Senhor permanece.

Todas as referências bíblicas foram extraídas da Palavra de Deus, conforme a versão Almeida Revista e Atualizada.


CAPÍTULO 1

UM LAR PERFEITO QUE DESAPARECEU NUM DIA

A Bíblia começa a história de Jó com uma apresentação que parece um retrato de paz completa:

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. 

E nasceram-lhe sete filhos e três filhas. 

E era a sua fazenda sete mil ovelhas, e três mil camelos, e quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas, e muitíssima gente ao serviço; de maneira que este homem era maior que todos os do oriente.” — Jó 1:1–3

Jó não era rico apenas em bens materiais. Ele era rico diante de Deus. 

A sua vida era construída sobre o temor ao Senhor. 

Os seus filhos cresciam, as festas aconteciam, a harmonia reinava. 

Mas a Palavra nos mostra algo importante: aquele lar não estava isento de provação.

Em um único dia, tudo mudou. 

Veio uma notícia depois de outra: os bois e as jumentas foram levados, os servos mortos, o fogo do céu consumiu os rebanhos, os caldeus atacaram os camelos. E, por fim, veio a notícia mais terrível de todas:

“Eis que teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa do seu irmão primogênito, e eis que um grande vento veio do lado do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, e caiu sobre os jovens, e morreram…” — Jó 1:18–19

Jó perdeu todos os dez filhos num instante. 

Ele rasgou as suas vestes, se cobriu de pó e prostrou-se. E disse uma das declarações de fé mais poderosas de toda a Escritura:

“Nu saí do ventre da minha mãe, e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor.” — Jó 1:21

Mas não foi apenas Jó que perdeu. 

Ao lado dele estava uma mulher — a mãe daquelas crianças. Ela também viu o lar desmoronar. 

Ela também sentiu o coração partir em pedaços. A dor não tinha apenas um rosto. 

Tinha dois. 

E foi essa dor compartilhada que, com o tempo, se manifestou de formas diferentes em cada um deles.

Deus não aprovou a dor, mas permitiu que a provação viesse para revelar o que havia verdadeiramente no coração de ambos. 

A fé de Jó seria provada; a fé da esposa também. E a sua história nos ensina que nem sempre quem fala errado é quem não ama — às vezes é quem sofre demais.

CAPÍTULO 2

AO LADO DELE, UMA MÃE QUE TAMBÉM PERDEU TUDO

Depois de perder os filhos, Jó foi atingido ainda em sua carne:

“Saiu, pois, Satanás da presença do Senhor, e feriu a Jó de chagas malignas, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. 

E Jó tomou um caco para se raspar com ele; e estava sentado entre as cinzas.” — Jó 2:7–8

Imagine esta cena: o marido, coberto de feridas, sentado no lixo, sem conforto, sem esperança de melhora. 

Ao lado dele, a mulher que um dia sorriu ao nascer cada filho, que organizou as festas, que cuidou daquela família. 

Agora, ela olha para o homem que ama e não o reconhece mais. Olha ao redor e não vê os filhos. 

O silêncio da casa é mais doloroso que qualquer grito.

A Bíblia não diz que ela era má. 

Não diz que era ímpia. 

Não diz que nunca orou. 

Ela era uma mãe ferida. 

Uma esposa que viu a vida desmoronar. 

O sofrimento não a endureceu por maldade — a atordoou por excesso de dor.

Quantas vezes julgamos as palavras dos outros sem saber o peso que carregam no coração?

Quantas vezes condenamos quem fala sem pensar, sem imaginar quanto sangue corre por dentro daquela ferida? 

A esposa de Jó não estava falando de longe. Ela estava pisando nas mesmas cinzas. Respirando o mesmo ar de luto.

O sofrimento compartilhado nem sempre aproxima as pessoas. 

Às vezes, a dor é tão grande que cada um reage de um jeito. Jó se calou e adorou. 

Ela falou e desabou. 

Mas ambos estavam feridos. Ambos amavam aqueles filhos. Ambos estavam perdendo tudo.

Deus viu a dor dela também. 

Ele não ignorou as lágrimas que não foram registradas na Escritura. 

Ele conhece cada coração partido. 

E esta verdade precisa chegar até você hoje: quando você sofre, Deus não está observando apenas a sua fé. 

Ele está vendo também a sua dor. 

E Ele tem compaixão de você.

CAPÍTULO 3

AS PALAVRAS QUE NASCEM DA DOR

Foi nesse momento que saiu aquela frase que ouvimos tantas vezes:

“Então sua mulher lhe disse: 

Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre.” — Jó 2:9

Muitos leram estas palavras e disseram: “que mulher má! Como pode dizer isso?” 

Mas pare e reflita: o que sai da boca, às vezes, não é o que está no coração o tempo todo — é o que está transbordando no momento da maior dor.

Ela não estava fazendo uma declaração de blasfêmia fria e calculada. 

Era o grito de alguém que já não conseguia mais ver sentido. 

Para ela, parecia que a fé de Jó não estava trazendo nenhum alívio. 

Parecia que ser íntegro não valia a pena.

Para que continuar servindo a Deus se perdemos tudo?”, parecia dizer o seu coração ferido.

As palavras dela eram o reflexo de uma mente que não conseguia compreender. 

Ela pensava: se Deus é bom, por que isto? 

Se Deus é justo, por que não nos protegeu? 

Se servimos a vida toda, por que este fim?

 Perguntas que não encontravam resposta, então se transformaram em amargura.

A Palavra nos ensina:

“Na multidão de palavras não falta transgressão, mas o que modera os seus lábios procede com sabedoria.” — Provérbios 10:19

Quando a dor é muito grande, a sabedoria diz: cala e entrega a Deus. 

Mas a fraqueza humana, sem força para compreender, às vezes fala o que sente, não o que crê.

 A esposa de Jó não estava certa — mas estava ferida. 

E isto nos ensina a ter misericórdia com quem sofre ao nosso lado. 

Não julgue com dureza quem ainda não encontrou consolo. Ore por ela, espere por ela, sustente-a na fé que ela já não consegue enxergar.

CAPÍTULO 4

JÓ RESPONDEU SEM PERDER A INTEGRIDADE

A resposta de Jó é uma das lições mais nobres da Bíblia:

“Mas ele lhe respondeu: 

Tu falas como fala uma das insensatas. 

Pois se recebemos de Deus o bem, e não receberíamos também o mal? 

Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.” — Jó 2:10

Jó corrigiu a palavra, mas não afastou a esposa. Ele não disse: “saia da minha casa, você não tem fé”. 

Ele disse: “você fala como quem não entende”. 

Ele reconheceu que a resposta dela vinha de um coração que não conseguia compreender, mas não a rejeitou.

Jó sabia algo profundo: Deus é Deus tanto na bênção quanto na provação. 

Recebemos o bem de Sua mão — e também confiamos nEle quando a mão parece pesada. 

Isto não significa que Deus causa o mal. 

Significa que Deus permanece Deus mesmo quando o mal nos atinge. 

Nossa confiança não está no que Ele nos dá — está nEle.

“E a quem iremos nós? A palavra da vida eterna está com ti.” — João 6:68

Jó podia ter dito: “você tem razão, tudo acabou”. 

Mas ele sustentou a fé pelos dois, porque ela já não conseguia sustentar a sua própria. 

Quantas vezes na vida precisamos ser a fé de quem está fraco? 

Falar por quem já não consegue orar? Confiar por quem está ferido demais para crer?

Jó permaneceu firme. 

Não por ser perfeito, mas por conhecer a Deus. 

E mesmo sem entender o que acontecia, decidiu confiar. 

A integridade não é compreender tudo — é crer em Deus mesmo quando nada faz sentido.

CAPÍTULO 5

POR QUE A DOR FAZ FALAR COISAS QUE NÃO SENTIMOS?

A experiência da esposa de Jó nos faz refletir profundamente sobre o poder da dor sobre as nossas palavras. A Bíblia adverte:

“O coração do homem é enganoso acima de todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” — Jeremias 17:9

Quando tudo vai bem, nosso coração parece firme. 

Mas quando o chão se abre sob os pés, é que vemos o que realmente está dentro. 

Não que a esposa de Jó fosse uma mulher sem fé — mas a fé dela foi abalada até os alicerces.

E de repente, palavras que nunca imaginou dizer saíram da sua boca.

Isto nos ensina três verdades preciosas:

1. Nunca julgue alguém por um momento de fraqueza. 

Uma palavra dita na tempestade não define toda a vida de uma pessoa. 

Pedro negou a Jesus, mas não permaneceu na negação. 

A esposa de Jó falou com amargura, mas também viu a restauração chegar.

2. A dor pode atrapalhar a visão espiritual. Quando choramos, os olhos embaçam e não conseguimos enxergar Deus. 

Parece que Ele se afastou, mas é a nossa visão que está turva.

3. O Espírito Santo é quem nos sustenta quando não temos forças. Jesus disse:

“O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” — Mateus 26:41

Não é pecado sentir dor. É humano chorar, perguntar, sofrer. 

O erro é deixar a dor decidir o que pensamos sobre Deus. 

A esposa de Jó disse o que sentia; Jó disse o que sabia. 

Sentir é humano, mas confiar é divino. 

Deixe a verdade de Deus guiar os seus pensamentos — não a dor do momento.

CAPÍTULO 6

O SILÊNCIO DE DEUS E A FIDELIDADE DO CRENTE

Depois daquelas palavras, veio um longo silêncio. 

Jó ficou sentado entre as cinzas por sete dias com os amigos que vieram consolá-lo, mas ninguém conseguia falar. Deus parecia calado. 

Os céus estavam fechados.

Quantos de nós já passamos por isso? 

Oramos e não há resposta. Buscamos e não encontramos. 

Choramos e o silêncio é a única resposta que chega. 

Parece que Deus saiu da nossa vida. 

Mas a Palavra diz:

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” — Salmo 23:4

O silêncio de Deus não é ausência. 

É prova de confiança. Deus estava observando não para condenar, mas para aperfeiçoar. 

A fé de Jó estava sendo lapidada. 

Ele não era mais o mesmo homem rico e respeitado — estava se tornando um homem que conhecia Deus de verdade.

Durante este tempo, a esposa de Jó provavelmente permaneceu ao lado dele. Talvez calada, talvez sofrendo, mas presente. 

A Bíblia não registra que ela o tenha abandonado. 

As palavras foram duras, mas o amor permaneceu. 

E Deus viu isto também. 

Ele não ignora quem permanece ao lado do ferido, mesmo quando ele próprio não tem forças.

Deus não se atrasa. 

Ele ouve o gemido que não tem palavras. 

Ele guarda as lágrimas no Seu frasco (Salmo 56:8). 

O silêncio que hoje dói é o espaço onde Deus está trabalhando para fazer algo maior do que você consegue imaginar.

CAPÍTULO 7

"ANTES OUVIA, AGORA VEJO" — O ENCONTRO VERDADEIRO

Depois de tudo — dos amigos, das perguntas, das dores — Deus finalmente falou. E a resposta de Jó foi esta:

“Ouvi com os ouvidos, porém agora os meus olhos te veem.” — Jó 42:5

Esta é a maior transformação da sua história. Antes, Jó conhecia Deus pelas bênçãos, pelos relatos, pela tradição. 

Agora, 

O conhecia pela experiência profunda, pelo sofrimento, pela fidelidade que resistiu até o fim. 

Ele não apenas ouviu falar de Deus — O viu.

Isto aconteceu com ele e também com a esposa que um dia disse amaldiçoar Deus. 

Ela também passou de ouvir falar de Deus para O ver agir. 

A dor não foi apagada, mas ganhou um novo sentido. 

Ela entendeu que Deus não estava contra eles — estava com eles, no meio de tudo.

“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” — Romanos 8:28

A provação não é punição. 

É um caminho para conhecer Deus de forma mais íntima. 

Quando tudo o que você tinha é tirado, resta somente Deus. 

E se Deus é tudo o que resta, você descobre que Deus é tudo o que você sempre precisou. 

A esposa de Jó aprendeu isto. 

E você também vai aprender.

CAPÍTULO 8

FILHOS NÃO SÃO BENS QUE SE DUPLICAM

Então chegou o momento da restauração:

“E o Senhor mudou a sorte de Jó… e deu ao Senhor o dobro do que tinha antes.” — Jó 42:10

Os rebanhos foram duplicados. 

A prosperidade voltou em dobro. 

Mas quando lemos sobre os filhos, algo diferente acontece:

“E tiveram-lhe mais sete filhos e três filhas… E não havia mulheres em toda a terra tão formosas como as filhas de Jó.” — Jó 42:13,15

Deus devolveu dez filhos — não vinte. 

Por quê? Porque os primeiros dez não foram substituídos. 

Eles não foram esquecidos. 

Eles permanecem vivos na memória, no coração e, principalmente, na presença de Deus. 

Filhos não são objetos que se repõem. São vidas, criaturas de Deus, herança do Senhor (Salmo 127:3).

A mãe que um dia perdeu tudo voltou a embalar filhos nos braços. 

Voltou a ouvir risadas dentro de casa. 

Mas ela também carregava no coração a saudade dos que partiram. 

A alegria nova não apagou a dor antiga — mas a transformou. 

Ela aprendeu que Deus não apaga o passado, mas faz algo novo no presente.

“Eis que faço uma coisa nova; agora sairá à luz; não a reconhecereis?

Porei um caminho no deserto e rios no meio da estepe.” — Isaías 43:19

Deus não substitui quem perdemos. 

Ele nos concede a graça de recomeçar. 

Os primeiros dez estavam guardados na mão de Deus; os outros dez eram a graça de Deus para curar e devolver a esperança. 

A mulher que pensou que nunca mais sorriria voltou a sorrir. 

E cada sorriso era prova de que Deus é fiel, mesmo quando não entendemos.

CAPÍTULO 9

A RESTAURAÇÃO QUE NINGUÉM ESPERAVA

A restauração de Jó e de sua esposa não foi apenas material. Foi profunda, familiar e espiritual:

- Deus mudou a sorte de Jó (Jó 42:10)

- Ele foi abençoado nos últimos dias mais do que nos primeiros (Jó 42:12)

- Os irmãos, parentes e conhecidos voltaram e trouxeram presentes (Jó 42:11)

- Ele viveu 140 anos depois disso, vendo filhos e netos (Jó 42:16–17)

Aquela mulher que um dia disse “amaldiçoa a Deus e morre” viu a fidelidade de Deus de forma plena. 

Ela viu que as palavras ditas na dor não eram a verdade final da sua vida. 

Deus não a julgou pela fraqueza — a restaurou pela Sua graça.

“Porque a ira é por um momento, mas o favor é para toda a vida; ao anoitecer pode vir o pranto, mas pela manhã vem a alegria.” — Salmo 30:5

A sua história também não termina onde a dor parece maior. 

A noite de choro passa — e a manhã da graça chega. 

Deus não se lembra dos nossos erros de fraqueza. 

Ele se lembra de quem O busca de verdade. 

A esposa de Jó foi restaurada porque permaneceu ao lado de quem confiava em Deus. 

E a graça de Deus alcançou os dois.

CAPÍTULO 10

NÃO DEIXE A DOR APAGAR A SUA FÉ

Chegamos ao final desta história com uma mensagem para o seu coração:

1. Você pode estar ferido sem ter perdido a fé. As palavras que saem na hora da dor não definem quem você é. 

Deus vê o coração por trás do gemido.

2. Não julgue quem sofre ao seu lado com dureza. 

A esposa de Jó falou errado, mas não merecia ser abandonada. 

Merecia paciência, oração e amor.

3. Deus não substitui quem partiu — Ele nos concede graça para recomeçar. 

Os filhos de Jó que morreram não foram apagados da memória de Deus. 

Os que vieram depois foram bênçãos para renovar a esperança.

4. A fé que não passou pela prova não é fé real. Depois do sofrimento, Jó não era o mesmo. 

Você também não será. 

Vai sair mais forte, mais íntimo de Deus, mais preparado para entender o amor do Senhor.

5. Não desista. A esposa de Jó podia ter ido embora. 

Podia ter fechado o coração. 

Mas permaneceu. 

E viu a mão de Deus agir.

“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” — Jeremias 29:11

Não importa o que você perdeu. Não importa o que disse na dor. 

Não importa o quanto o caminho parece escuro. Deus está com você. 

Ele conhece o momento que você está atravessando. 

Sabe exatamente onde você está. E a Sua restauração é certa.

Continue em Cristo. Não deixe a dor apagar a sua fé. 

O Senhor que sustentou Jó e consolou a sua esposa é o mesmo que segura a sua mão hoje. 

E Ele fará maravilhas em sua vida.

ORAÇÃO FINAL

Senhor Deus, Pai de toda consolação,

Eu venho até Ti com o coração ferido,

como a esposa de Jó, que perdeu muito

e em um momento de dor não conseguiu ver sentido.

Perdoa-me pelas palavras que disse

quando a dor falou mais alto que a fé.

Não rejeita o meu coração, que Te busca

mesmo quando não compreende o Teu caminho.

Dá-me a força de Jó, para dizer:

o Senhor o deu, o Senhor o tomou,

bendito seja o nome do Senhor.

Ensina-me a confiar mesmo quando tudo parece perdido.

Consola cada lágrima.

Restaura a esperança no meu lar.

E faz com que, como Jó, eu possa dizer:

antes ouvia falar de Ti, mas agora os meus olhos Te veem.

Em nome de Jesus, que chorou com os que choram

e permanece para sempre ao nosso lado.

Amém.

LIVRO OS CINCO SENTIDOS DADOS POR DEUS

 

LIVRO OS CINCO SENTIDOS DADOS POR DEUS

Autor: Carlos Alberto Cândido da Silva

Ministério: Assembleia de Deus Providência do Céu

Contato: 1195725-5927

Data: 06 /10/2026

DEDICATÓRIA

A Deus Pai, Criador de todas as coisas, que com sabedoria perfeita formou o corpo humano e o dotou de maravilhas sem iguais. 

A cada irmão e irmã que busca enxergar, ouvir e sentir mais profundamente a presença do Senhor em todos os dias da vida. 

Que este livro seja instrumento para que os sentidos que Ele nos deu sejam devolvidos a Ele em adoração e serviço.

SUMÁRIO

Capítulo 1 — O Deus que cria e dá: os sentidos como dom

Capítulo 2 — A Visão: contemplar a glória e enxergar o caminho

Capítulo 3 — A Audição: ouvir a Voz que fala à alma

Capítulo 4 — O Olfato: perceber a presença e as atmosferas do Reino

Capítulo 5 — O Paladar: provar, experimentar e reconhecer a bondade de Deus

Capítulo 6 — O Tato: toque, cura, proximidade e a presença tangível de Deus

Capítulo 7 — Sentidos desviados: quando usamos o que é de Deus para o que não é de Deus

Capítulo 8 — Sentidos treinados: crescer na percepção do Espírito

Capítulo 9 — Quando os sentidos falham: a fé que vai além do que se sente

Capítulo 10 — Devolvendo os sentidos ao Doador: viver para a glória de Deus

Oração Final

 

...........MENSAGEM DO LIVRO..............

“Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.”

— Salmo 34:8

Cada manhã, quando abres os olhos, ouves um som, sentes o ar, o toque, o sabor — estás recebendo mais do que apenas funções do corpo. Estás recebendo uma nova misericórdia do Senhor.

Os cinco sentidos não são acidente da natureza. São dons de Deus, dados para que conheçamos a criação, sirvamos ao próximo e, acima de tudo, encontremos o Criador. 

Mas os sentidos também podem ser desviados — e por isso precisam ser guardados, treinados e devolvidos a Quem os deu.

Este livro não é apenas sobre olhos, ouvidos, nariz, boca e mãos. 

É sobre a vida que Deus nos confiou, e como vivê-la para a glória dEle. 

Que cada página desperte em ti um olhar mais atento, um ouvido mais sensível, um coração mais cheio de Deus.


CAPÍTULO 1 — O DEUS QUE CRIA E DÁ: OS SENTIDOS COMO DOM

No início da Bíblia, a primeira coisa que lemos é que Deus criou. 

E quando Ele criou o ser humano, não o fez como uma obra incompleta. Ele formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente (Gênesis 2:7). 

Em cada detalhe do corpo humano, vemos a sabedoria de Deus.

Os cinco sentidos — visão, audição, olfato, paladar e tato — não são meras funções biológicas que aconteceram por acaso. 

São dons, ferramentas que o Senhor nos entregou para vivermos, conhecermos a Sua criação e, acima de tudo, conhecermos a Ele mesmo.

O Salmo 139:13–14 canta com profunda admiração: “Pois tu formaste os meus rins; teceste-me no seio de minha mãe. 

Louvo-te porque de modo tremendo e maravilhoso foste feito; admiráveis são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.” Deus não apenas nos fez; 

Ele nos fez com intenção, propósito e generosidade. 

Cada sentido é uma porta que Ele abriu para que entremos em relação com o mundo que criou e com o próprio Criador.

Pense com atenção: sem a visão, não veríamos o nascer do sol, a beleza das montanhas, o rosto de quem amamos, nem as linhas da Escritura que nos guiam. 

Sem a audição, não ouviríamos a voz de conforto, o louvor que eleva a alma, nem a Palavra que transforma. 

Sem o olfato, não sentiríamos o aroma da chuva, das flores, nem o perfume que representa adoração. 

Sem o paladar, não saberíamos o sabor do pão que nos sustenta, nem da fartura que Deus prepara. 

Sem o tato, não sentiríamos o calor de um abraço, nem o toque que traz cura e esperança.

Mas há algo ainda mais profundo: os sentidos foram dados para servir também à vida espiritual. 

O apóstolo Paulo diz em Romanos 1:20 que “as coisas invisíveis dele, desde a criação do mundo, são claramente vistas, sendo compreendidas por meio das coisas que são feitas”. 

Os sentidos físicos são como janelas que nos levam a enxergar o que é espiritual. 

O que vemos com os olhos nos lembra que existe um Deus invisível que faz tudo belo. 

O que ouvimos com os ouvidos nos ensina a discernir a Voz que não se escuta com ruído, mas no silêncio do coração.

Muitas vezes vivemos recebendo esses dons como se fossem garantidos, como se fossem nossos por direito. 

Mas a verdade é que a cada manhã, quando abrimos os olhos, quando escutamos o canto dos pássaros, quando sentimos o ar entrando em nossos pulmões, estamos recebendo uma nova misericórdia. 

Como diz Lamentações 3:22–23: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã. 

Grande é a tua fidelidade.”

Os sentidos não pertencem a nós; são empréstimos do Senhor. 

Eles foram dados para que, por meio deles, nós O glorifiquemos. 

Neste livro, vamos percorrer cada um desses dons com respeito, gratidão e temor, buscando entender não apenas como funcionam, mas para que foram dados — e como devemos usá-los para o Reino de Deus.

CAPÍTULO 2 — A VISÃO: CONTEMPLAR A GLÓRIA E ENXERGAR O CAMINHO

O primeiro sentido que Deus nos concedeu é a visão. 

E com razão foi assim, pois logo após criar a luz, Deus viu que a luz era boa (Gênesis 1:3–4). 

O próprio Deus enxerga com clareza tudo o que faz, e ao criar os olhos do ser humano, Ele nos deu a capacidade de participar da alegria de contemplar a Sua obra.

Os olhos são chamados na Bíblia de “lâmpada do corpo”. 

Jesus disse em Mateus 6:22: “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.” 

Isso nos ensina que a visão não serve apenas para enxergar caminhos físicos, mas também para receber luz espiritual. 

O que escolhemos olhar molda quem nos tornamos. 

Quando fixamos os olhos no Senhor, como fazia o salmista que dizia “eleva os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro” (Salmo 121:1), a nossa força se renova. 

Quando olhamos para o mundo com cobiça, descontentamento ou inveja, o corpo se enche de trevas.

Há dois tipos de visão que precisamos cultivar: a visão externa e a visão interior.

Pela visão externa, contemplamos a criação. 

O Salmo 19:1 proclama: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.” 

Quem abre os olhos para o mundo e não vê Deus, vê mal. 

Quem olha para uma flor, para o mar, para o céu estrelado e não sente adoração, precisa orar para que Deus abra os olhos do entendimento.

Pela visão interior, enxergamos o que os olhos físicos não alcançam. 

O apóstolo Paulo orou pela igreja pedindo que “o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele; iluminando os olhos do vosso entendimento” (Efésios 1:17–18). 

Essa é a visão mais importante: perceber a vontade de Deus, enxergar o propósito nos sofrimentos, ver além das circunstâncias.

Moisés foi um homem que aprendeu a enxergar assim. 

Ele liderou o povo sem ver o destino, mas confiando Naquele que é invisível. 

Como diz Hebreus 11:27: “…perseverou, como vendo aquele que é invisível.” 

Essa é a verdadeira visão: não depender do que aparece diante dos olhos, mas fixar o olhar em Jesus, o autor e consumador da fé (Hebreus 12:2).

Cuidemos, porém, para que os nossos olhos não se desviem. 

A Bíblia nos adverte que o olho pode causar queda. Em 1 João 2:16 somos avisados sobre “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida”. 

O que vemos e desejamos fora de Deus vai roubar a nossa paz. 

Por isso, o rei Davi fez um propósito: “Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?” (Jó 31:1). 

Que possamos fazer o mesmo: direcionar o olhar para o que é puro, para o que é verdadeiro, para o que vem de Deus.

CAPÍTULO 3 — A AUDIÇÃO: OUVIR A VOZ QUE FALA À ALMA

Se os olhos nos levam a contemplar, os ouvidos nos dão a oportunidade de ouvir.

E que dom precioso é este! Desde o Éden, Deus falava com o homem (Gênesis 3:8). 

Ele não criou seres mudos nem se afastou em silêncio; Ele fala, convida, orienta. 

O ouvido foi dado para escutar — e a primeira escuta deve ser para o Senhor.

O Salmo 85:8 diz: “Ouvirei o que Deus, o Senhor, disser; porque falará de paz ao seu povo e aos seus santos.” 

Quem tem ouvidos para ouvir a Deus encontra direção, consolo e vida. Jesus repetiu diversas vezes: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 2:7).

 Isso mostra que nem todos ouvem da mesma forma. 

Há ouvidos que se fecham por orgulho, há ouvidos que se tapam com o ruído do mundo, e há ouvidos que se abrem com humildade.

A audição espiritual exige calma e atenção. Muitas vezes, falamos muito, fazemos barulho, corremos demais — e Deus fala num sussurro suave, e não O escutamos. 

O profeta Elias aprendeu isso no monte. 

O vento forte veio, mas Deus não estava no vento; depois o terremoto, depois o fogo — e só depois veio uma “voz suave e delicada” (1 Reis 19:11–12). Para ouvir Deus, precisamos silenciar o ruído dentro de nós.

Mas não basta apenas ouvir; é preciso praticar o que se ouve. Tiago 1:22 adverte com firmeza: “Sede, porém, praticadores da palavra, e não somente ouvidores, enganando-vos a vós mesmos.” 

Quem ouve e não faz, é como quem olha o próprio rosto no espelho e logo esquece como é. O ouvido foi feito para receber a Palavra, mas o coração deve transformá-la em obediência.

Também precisamos ter sabedoria para discernir quais vozes escutar. 

O mundo fala muitas coisas: medo, desânimo, vaidade, promessas vazias. 

O inimigo também fala, sussurrando dúvidas sobre o amor de Deus. 

Por isso, João nos ensina a “não crer em todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus” (1 João 4:1). 

Que os nossos ouvidos sejam treinados para reconhecer a Voz do Bom Pastor, pois “as suas ovelhas ouvem a sua voz, e ele chama as suas ovelhas pelo nome e as guia” (João 10:3–4).

Ouvir Deus é garantia de caminho seguro. 

Como diz Isaías 30:21: “Os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: 

Este é o caminho, andai por ele, quando vos desviares, nem para a direita nem para a esquerda.” 

Que cada som que chegue aos nossos ouvidos seja pesado diante da Palavra, e que a nossa maior alegria seja ouvir do Senhor: “Bem, servo bom e fiel.”

CAPÍTULO 4 — O OLFATO: PERCEBER A PRESENÇA E AS ATMOSFERAS DO REINO

Entre os sentidos, o olfato é talvez o mais sutil e ao mesmo tempo o mais profundo em sentido espiritual. 

Ele nos lembra de coisas que o tempo não apaga, de presenças que marcaram a vida. 

Na Escritura, o aroma aparece repetidamente ligado à presença de Deus, à adoração e ao que é santo.

No livro do Êxodo, Deus deu ordens precisas sobre a preparação do incenso que era queimado diante dEle: “e farão dele incenso, composição de perfeito perfume, obra de perfumista, salgado, puro e santo” (Êxodo 30:35). 

Esse aroma subia e representava as orações do povo, que chegavam diante do Senhor como algo precioso. 

Hoje, não mais queimamos incenso de ervas e especiarias, mas as nossas orações e vidas devem ser um aroma suave diante de Deus. Como diz 2 Coríntios 2:15: 

Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo entre os que se salvam e entre os que se perdem.”

Isso significa que a nossa vida tem um “cheiro” espiritual. 

Quem vive perto de Deus traz consigo uma atmosfera diferente — de mansidão, de perdão, de alegria que não vem do mundo.

As pessoas sentem isso, sem saber explicar.

 Assim como não vemos o perfume, mas sentimos a sua presença, também a presença de Cristo em nós é percebida mesmo sem palavras.

Mas o olfato espiritual também serve para discernir o que não é de Deus. 

Assim como sentimos o mau cheiro e nos afastamos, o crente deve perceber quando um ambiente ou ensinamento não vem do Senhor. 

Há ensinos que parecem bons, mas trazem orgulho, divisão ou ganância — e o coração que aprendeu a sentir a presença de Deus percebe que algo está errado. 

A Bíblia diz que os falsos mestres trazem consigo “a peste da perdição” (2 Pedro 2:1) — algo que corrompe e afasta da verdade.

O perfume também está ligado ao sacrifício e à entrega. 

Quando Maria derramou o perfume caro sobre os pés de Jesus, a casa se encheu do aroma (João 12:3). 

Ninguém ficou indiferente. 

Assim deve ser a nossa adoração: generosa, sem medida, deixando que a presença de Cristo se espalhe por onde passarmos. 

Que ninguém saia do nosso lado pior do que entrou; que todos sintam, mesmo que levemente, o aroma do Reino.

Que o Senhor nos ensine a “sentir” o que Lhe agrada. 

Que possamos dizer como no Cântico dos Cânticos 1:3: “À fragrância dos teus excelentes perfumes, as virgens te amam.” 

Quem vive perto de Deus exala o Seu amor sem querer, e atrai corações para o Pai.

CAPÍTULO 5 — O PALADAR: PROVAR, EXPERIMENTAR E RECONHECER A BONDADE DE DEUS

Diz o salmista: “Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia” (Salmo 34:8). 

O paladar é o sentido que nos leva a experimentar, a conhecer por experiência própria. 

Não basta ouvir falar de Deus; é preciso provar a Sua bondade. 

O paladar nos lembra que a fé não é apenas conhecimento na cabeça, mas sabor real na alma.

Cada alimento que recebemos é dom de Deus. Jesus mesmo, ao alimentar multidões, agradeceu antes de distribuir (Mateus 14:19). O pão, a água, o fruto — tudo vem da mão generosa do Pai. 

O paladar nos ensina a gratidão: não comer apenas para encher a barriga, mas saborear cada bocado como uma prova do cuidado de Deus.

 Em Deuteronômio 8:3 está escrito: “…e te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem.” 

O alimento físico nos lembra que existe um alimento espiritual que sustenta para a vida eterna: a Palavra de Deus.

O apóstolo Pedro fala sobre isso: “Desejai ardentemente o leite racional, não adulterado, para que por ele cresçais para a salvação, se é que já provastes que o Senhor é benigno” (1 Pedro 2:2–3).

 Quem prova o Senhor, quer mais dEle. 

Quem experimentou o perdão, a paz e a alegria que só Deus dá, não quer mais se saciar com as migalhas que o mundo oferece. O sabor do mundo passa rápido, deixa gosto amargo e vazio; o sabor de Deus permanece para sempre.

Mas o paladar também precisa ser purificado. Muitas vezes achamos sem graça o que é de Deus porque nos acostumamos com o que é doce ao nosso modo — elogios, sucessos, caminhos fáceis. 

Quando Deus pede obediência, paciência ou sacrifício, achamos “sem graça”. Precisamos orar para que Deus nos dê o gosto pelas coisas dEle. 

O profeta Ezequiel comeu o rolo da Palavra e disse que lhe foi doce como mel na boca (Ezequiel 3:3). 

A Palavra de Deus é doce para quem a recebe com humildade.

E há também o aviso: há coisas que parecem doces no início, mas no fim trazem amargor. “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte” (Provérbios 14:12). 

O pecado promete prazer, mas deixa o coração vazio e ferido. 

Que o nosso paladar esteja treinado para reconhecer o que realmente nutre a alma — e que cada dia possamos dizer com sinceridade: “Eu provei, e vi que o Senhor é bom.”

CAPÍTULO 6 — O TATO: TOQUE, CURA, PROXIMIDADE E A PRESENÇA TANGÍVEL DE DEUS

O toque é o sentido da proximidade. 

É o contato que diz “estou aqui”, “não estás sozinho”. Deus criou as mãos e a pele para que pudéssemos sentir o calor do outro — e, de maneira especial, para sentir o toque dEle. 

Vemos ao longo dos Evangelhos que Jesus usou o toque com frequência. Ele tocou os doentes, os tristes, os que ninguém queria aproximar-se. 

Ao tocar, Ele levava cura, aceitação e esperança.

Um leproso aproximou-se de Jesus e disse: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me. 

E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: 

Quero; sê limpo. E logo ficou limpo da sua lepra” (Mateus 8:2–3).

 Naquela época, ninguém tocava em leprosos. Eles eram considerados impuros, afastados de todos. 

Mas Jesus tocou — e naquele toque, não houve contaminação, houve cura. 

O toque de Deus não se afasta de nós; Ele se aproxima para nos levantar.

Também nós precisamos aprender a usar o toque com sabedoria e amor.

Um abraço oportuno consola quem chora; um aperto de mão firme fortalece quem está fraco; um toque suave no ombro diz “estou contigo”. 

Mas devemos fazê-lo com respeito, pureza e temor, pois o corpo é templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19). 

O tato foi dado para construir, proteger e acolher — nunca para ferir, usar ou desrespeitar.

Há também o toque da fé. A mulher que sofria de hemorragia há doze anos pensou: “Se eu tão-somente tocar a sua veste, ficarei sã” (Mateus 9:21). 

Ela não chegou perto de Jesus com grandiosas palavras; chegou com fé simples — e foi curada. Isso nos lembra que basta nos achegarmos a Cristo, mesmo com as mãos vazias, com o coração ferido, e Ele nos sentirá. 

Como Jesus disse: “Alguém me tocou; porque bem percebi que saiu poder de mim” (Lucas 8:46).

E quando não podemos tocar fisicamente, Deus nos toca de outras formas — por uma palavra enviada no momento certo, por um consolo que vem do céu, por uma força que não temos de onde vem. O apóstolo Paulo escreveu: 

A vossa fé, a esperança e o amor estão em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo… porque a mão de Deus esteve conosco” (cf. Colossenses 1:3–5). 

Deus toca hoje, como tocou nos dias de Jesus. Que as nossas mãos sejam extensões do Seu amor — levando cura, acolhimento e verdade onde quer que formos.

CAPÍTULO 7 — SENTIDOS DESVIADOS: QUANDO USAMOS O QUE É DE DEUS PARA O QUE NÃO É DE DEUS

Cada um dos cinco sentidos é bom, puro e vindo de Deus — mas todos podem ser desviados. 

O inimigo não precisa criar coisas novas para nos afastar de Deus; basta desviar o que já foi dado para o bem. Os olhos que deveriam contemplar a glória passam a cobiçar. 

Os ouvidos que deveriam ouvir a Palavra passam a escutar fofocas e conselhos vazios. 

O nariz que deveria sentir o aroma do Reino passa a se acostumar com o mundo. 

A boca que deveria provar a bondade passa a se encher de amargura. 

As mãos que deveriam acolher passam a agredir ou se fechar para a ajuda.

A Bíblia descreve com clareza o que acontece quando os sentidos se corrompem. 

No tempo dos juízes, diz-se: 

Não havia rei em Israel, mas cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (Juízes 21:25). 

Quando os olhos deixam de olhar para Deus e passam a olhar apenas para si mesmos, a desordem chega rápido.

O rei Davi, homem segundo o coração de Deus, caiu quando desviou os olhos e depois os passos (2 Samuel 11).

Se um homem tão fiel caiu assim, quem somos nós para nos julgar seguros?

Os ouvidos também se corrompem quando só querem ouvir o que agrada. 

Paulo advertiu: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina, mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si mestres segundo os seus próprios desejos; e desviarão os ouvidos da verdade, se voltando para fábulas” (2 Timóteo 4:3–4). 

Cuidado com o que você deixa entrar!

Se só ouvimos quem confirma os nossos erros, perdemos a direção.

O paladar se perverte quando achamos o pecado mais gostoso que a presença de Deus. 

O tato se desvia quando usamos o outro para o nosso próprio prazer, sem amor, sem respeito, sem temor. 

O olfato se embota quando nos acostumamos com o mal e deixamos de sentir que algo está errado.

Mas há esperança! 

O Senhor não abandona quem se arrepende. 

Se os seus sentidos foram levados para caminhos errados, hoje é o dia de voltar. 

Se, porém, vos convertires ao Senhor, o vosso coração e a alma serão purificados” (2 Crônicas 30:8). 

Deus pode restaurar cada sentido: dar olhos que vejam, ouvidos que ouçam, um coração que sinta novamente.

A porta está aberta. Basta voltar.

CAPÍTULO 8 — SENTIDOS TREINADOS: CRESCER NA PERCEPÇÃO DO ESPÍRITO

Assim como o corpo se fortalece com exercício, os sentidos espirituais se aperfeiçoam com prática e intimidade com Deus.

Não nascemos percebendo tudo; aprendemos pouco a pouco. 

Como diz Hebreus 5:14: “Mas o alimento sólido é para os perfeitos, os que, por uso, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.” 

A palavra “exercitados” é a mesma de onde vem “ginástica”: esforço, repetição, constância.

Como treinamos os sentidos espirituais?

Primeiro, pela Palavra. 

Quem lê e medita diariamente passa a reconhecer a Voz de Deus com mais rapidez. 

O que antes parecia confuso, agora fica claro. 

O que antes parecia bom, agora percebe que leva à queda. 

A Palavra é como luz que afia a nossa visão interior (Salmo 119:105).

Segundo, pela oração. 

Quem conversa com Deus todos os dias O conhece melhor. 

Assim como reconhecemos a voz de quem amamos ao telefone, mesmo sem ver o rosto, também reconhecemos o tom da Voz de Deus quando passamos tempo com Ele.

A oração treina o ouvido para ouvir no silêncio.

Terceiro, pela obediência. 

Quando fazemos o que Deus já disse, mesmo sem entender tudo, Ele nos mostra mais. 

Quem é fiel no pouco, recebe mais clareza. 

Quem obedece com sinceridade, passa a sentir com mais precisão o que Lhe agrada e o que não agrada.

Quarto, pela convivência com irmãos maduros. “O ferro afia o ferro; e o homem afia o rosto do seu amigo” (Provérbios 27:17). 

Estar perto de quem já caminha há tempo com Deus nos ajuda a perceber o que ainda não enxergamos sozinhos. 

Eles nos alertam com amor quando o caminho está escorregadio.

Treinar os sentidos não acontece de um dia para o outro. 

Há dias em que parece que não sentimos nada — e mesmo assim continuamos fiel, porque aprendemos a confiar em Deus e não apenas nas nossas sensações. 

É um processo, mas quem persevera recebe uma vida mais rica, mais clara e mais próxima do Senhor. 

Que possamos dizer com o salmista: “A minha alma segue-te de perto; a tua destra me sustém” (Salmo 63:8).

CAPÍTULO 9 — QUANDO OS SENTIDOS FALHAM: A FÉ QUE VAI ALÉM DO QUE SE SENTE

Há momentos em que os olhos não veem saída, os ouvidos não escutam resposta, e parece que Deus se afastou. 

A doença pode tirar a força, a tristeza pode escurecer a visão, a solidão pode silenciar tudo ao redor. 

Nessas horas, a fé precisa caminhar sem depender do que se sente. Como dizemos com frequência: a fé não é sentimento — é confiança firme Naquele que é fiel.

O profeta Habacuque passou por isso. 

Ele olhou ao redor e viu violência, injustiça, destruição. Disse: 

Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides… e os rebanhos sejam cortados do aprisco, e não haja gado nos currais, eu, contudo, me regozijarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17–18). 

Quando os sentidos só veem perda, a fé lembra quem é Deus.

Jó também viveu isso. Perdeu tudo: riquezas, família, saúde. 

Os olhos enchiam-se de lágrimas, a pele doía, a boca provava amargura. 

Mesmo assim, declarou: 

Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25). 

A fé vai além do que os sentidos conseguem captar. 

Ela se firma na promessa, não na circunstância.

Jesus mesmo passou por um momento em que tudo pareceu escuro. 

Na cruz, gritou: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Mateus 27:46). 

Ele sentiu o peso da separação — mas não duvidou do Pai. 

Entregou a alma nas mãos dEle.

E a vida veio depois da escuridão.

Se hoje você não sente a presença de Deus como antes, não se afaste.

Continue buscando. 

O amor de Deus não depende do seu sentimento; ele é firme, eterno e imutável. Como diz Hebreus 13:8: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e para sempre.” 

Os sentidos podem falhar, mas a Palavra dEle permanece. 

Confie Nele mesmo quando não sentir nada. 

É exatamente nesses momentos que a fé brilha mais forte.

CAPÍTULO 10 — DEVOLVENDO OS SENTIDOS AO DOADOR: VIVER PARA A GLÓRIA DE DEUS

Chegamos ao último capítulo, e a conclusão é simples e profunda: tudo o que temos veio de Deus, e tudo o que temos deve ser usado para Ele. 

Os olhos, os ouvidos, o nariz, a boca, as mãos — não são nossos. São dons do Doador. 

E a maior honra que podemos dar é devolvê-los em serviço e adoração.

O apóstolo Paulo escreve com clareza:

Não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Coríntios 6:19–20).

Devolver os olhos a Deus significa: olhar para o que é puro, cuidar de quem precisa, contemplar a Sua beleza e não se deixar levar pelo que destrói.

Devolver os ouvidos a Deus significa: ouvir a Palavra, escutar quem sofre, aconselhar com sabedoria e fechar os ouvidos ao que não edifica.

Devolver o nariz a Deus significa: viver de tal forma que a nossa vida seja um aroma de Cristo; levar esperança onde há desespero.

Devolver a boca a Deus significa: falar a verdade com amor, consolar, abençoar, agradecer e nunca usar a língua para ferir.

Devolver as mãos e o toque a Deus significa: acolher, servir, trabalhar com honestidade, curar com palavras e gestos, proteger o fraco.

Que cada manhã, ao abrir os olhos, você possa dizer: “Senhor, estes olhos são Teus. 

Usa-os. 

Estes ouvidos são Teus. 

Guia-os. Esta vida é Tua. 

Faz dela o que Te agrada.”

Não guarde os sentidos para si.

Não os use para vaidade, nem para ressentimento, nem para o que passa. 

Entregue-os ao Senhor. 

E verá que a vida ganha outro sabor, outra luz, outro som — porque já não é você quem vive, mas Cristo vive em você (Gálatas 2:20).

E um dia, na eternidade, os nossos sentidos serão aperfeiçoados de vez. 

Nada doerá, nada ferirá, nada enganará. Veremos a face de Deus e O ouviremos falar diretamente. 

E entenderemos, finalmente, que cada olhar, cada som, cada toque nesta vida foi apenas um ensaio do que será para sempre: viver em Sua presença.

ORAÇÃO FINAL

Senhor Deus, Pai da luz e Criador de tudo que existe,

eu venho diante de Ti com gratidão no coração.

Obrigado por cada sentido que me deste — olhos que veem, ouvidos que ouvem, mãos que tocam,

boca que prova e nariz que sente o Teu amor em cada detalhe da vida.

Perdoa-me, Senhor, por tantas vezes ter usado estes dons para o que não era Teu.

Perdoa os olhos que cobiçaram, os ouvidos que escutaram fofocas,

a boca que feriu, as mãos que se fecharam, o coração que se afastou.

Purifica cada parte do meu ser. Lava-me com o Teu sangue.

Faz de mim um vaso novo.

Agora, Senhor, eu entrego os meus sentidos ao Teu cuidado.

Que os meus olhos vejam como Tu vês — com compaixão e verdade.

Que os meus ouvidos ouçam primeiro a Tua Voz, e dela não se afastem.

Que a minha vida exale o Teu aroma de amor e perdão por onde eu for.

Que a minha boca prove sempre a Tua bondade e fale da Tua graça.

Que as minhas mãos levem o Teu toque de cura e acolhimento aos que precisam.

E quando eu não sentir nada, quando a escuridão vier,

que a minha fé se firme em Ti, que és invisível mas estás sempre perto.

Usa-me, Senhor. 

Que os meus sentidos sejam instrumentos da Tua glória,

hoje e para sempre.

Em nome de Jesus, amém.


LIVRO DEUS ODEIA FOFOCA E CONTENDAS

 

LIVRO DEUS ODEIA FOFOCA E CONTENDAS

Autor: Carlos Alberto Cândido da Silva

Ministério: Assembleia de Deus Providência do Céu

Contato: 1195725-5927

Data: 06/10/2026

DEDICATÓRIA

Dedico este livro a todos os que amam a paz, que buscam guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz e que desejam viver de coração puro, sem mágoas, sem fofocas e sem divisões. 

Que a Palavra de Deus limpe nossos lábios e governe a nossa língua, para que tudo o que saia da nossa boca seja edificação e graça aos que ouvem.

SUMÁRIO

Capítulo 1 — O mal que chega sorrindo 

Capítulo 2 — Deus detesta a língua que espalha segredos 

Capítulo 3 — A fofoca destrói lares e divide igrejas 

Capítulo 4 — Quem escuta e repete também é culpado 

Capítulo 5 — A raiz da fofoca: inveja e orgulho 

Capítulo 6 — A língua é um fogo, um mundo de maldade 

Capítulo 7 — Contendas: o inimigo da unidade

Capítulo 8 — Como responder quando vierem falar mal 

Capítulo 9 — Curar a língua: arrependimento e mudança 

Capítulo 10 — Coração puro, palavras de vida


INTRODUÇÃO

O mal nem sempre chega assustando. 

Às vezes chega sorrindo, dizendo: “me falaram”, “me contaram”, “ouvi dizer”. 

É assim que uma dúvida encontra espaço, vira suspeita e termina dividindo irmãos.

Paulo conhecia esse perigo. 

Falou de falsos irmãos introduzidos furtivamente (Gálatas 2:4) e advertiu que, de dentro da própria igreja, surgiriam pessoas distorcendo a verdade (Atos 20:30).

Perceba que o mal nem sempre precisa gritar para destruir. 

Basta plantar uma mentira no ouvido certo e deixar que outros a espalhem. 

Nem toda preocupação é sincera, assim como nem toda pergunta é maldosa. 

Por isso, examine os fatos! 

Cuidado com quem sempre tem uma história para contar, uma suspeita para levantar e alguém para desacreditar.

Porque a mentira pode até nascer na boca de uma pessoa, mas só cresce quando encontra ouvidos dispostos a alimentá-la. 

E aqui está o perigo: quem planta a mentira peca, mas quem a espalha também participa da colheita.

A Bíblia diz claramente:

“Há seis coisas que o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.”

— Provérbios 6:16–19

Este livro foi escrito para abrir os olhos do povo de Deus, para nos chamar de volta à pureza da palavra, à guarda da língua e ao amor que cobre multidão de pecados. 

Que o Senhor nos ensine a falar pouco, a ouvir com sabedoria e a viver em paz com todos, na medida do possível.


    ..........MENSAGEM DO LIVRO...........

“O que guarda a sua boca e a sua língua guarda a sua alma das angústias.”

— Provérbios 21:23

A fofoca parece pequena, mas destrói muito. Parece inofensiva, mas carrega veneno. Parece sem consequência, mas Deus ouve cada sussurro.

Não seja quem planta. 

Não seja quem espalha. 

Não seja quem ouve e cala, permitindo que a mentira cresça. Seja quem protege. 

Quem ora. 

Quem fala a verdade com amor. 

Quem guarda a unidade.

O Senhor está atento a cada palavra que sai da tua boca.

Que cada uma delas O agrade. Que cada uma delas traga vida.


CAPÍTULO 1

O MAL QUE CHEGA SORRINDO

Existe um tipo de maldade que não vem com rosto de monstro.

Não vem gritando, não vem ameaçando. 

Vem com voz suave, vem com um sorriso no rosto, vem dizendo: 

Eu estou te falando isso porque gosto de você”, “Só estou te avisando para você não ser pego de surpresa”, “Ninguém sabe, mas eu confio em você”.

É assim que a fofoca entra. Pela porta da confiança fingida. 

Pela janela da curiosidade. Pelo ouvido que se deixa seduzir.

A Palavra de Deus nos adverte:

“O bisbilhoteiro descobre segredos; por isso, não te metas com quem abre muito os lábios.”

— Provérbios 20:19

Repare: o bisbilhoteiro não força a porta. 

Ele encontra quem está disposto a ouvir. 

Ele diz:

Não conta para ninguém, mas…” — e nesse momento, um laço se fecha sobre duas vidas: a de quem fala e a de quem ouve.

Muitos acham que fofoca é apenas conversa de gente ociosa, algo sem importância, “só conversa”. 

Mas Deus não vê assim. 

Para Ele, a fofoca é um veneno silencioso. 

Não derruba de uma vez só, como uma espada. 

Vai soltando o veneno aos poucos: primeiro uma dúvida, depois uma desconfiança, depois uma raiva, e por fim, a separação.

Foi assim no Éden também. 

A serpente não chegou dizendo:

Deus é mau”. 

Chegou perguntando:

É assim que Deus disse?”

Plantou uma dúvida. Deixou a semente cair no solo do coração. 

E quando o coração aceitou aquela palavra, a queda veio.

Assim acontece hoje. 

Alguém chega e diz:

Você sabia que fulano falou de você?” — e de repente, sem provas, sem conversar com a pessoa, sem perguntar, o coração já se enche de ressentimento. 

A amizade esfria. 

A confiança morre. 

E a pessoa que foi falada nem sabe o que está acontecendo.

Isso não é lealdade. 

Isso não é amor. 

Isso é traição disfarçada de preocupação.

O apóstolo Paulo nos alerta:

“Porque eu sei que, depois da minha partida, entrarão entre vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; e que dentre vós mesmos se levantarão homens falando coisas perversas, para arrastar os discípulos após si.”

— Atos 20:29–30

Veja bem: os inimigos não vinham de fora apenas. 

Surgiriam de dentro. 

Pessoas que pareciam fazer parte, que sentavam-se ao nosso lado, que falavam de Deus — mas que, em segredo, distorciam a verdade, semeavam dúvidas e dividiam o povo.

O mal não precisa vir de longe. 

Às vezes está bem perto, no ouvido de quem diz “sou seu amigo”, mas que nunca fala com você na frente, só fala pelas costas.

Neste capítulo, quero deixar gravado no seu coração: nem tudo que chega em tom de confidência é verdade. 

Nem toda palavra dita “em segredo” é para seu bem. Aprenda a parar a conversa antes que o veneno entre. 

Aprenda a dizer:

Você já falou isso com a pessoa? 

Se não falou, por que está me contando?”.

Quem ama não espalha. 

Quem é leal protege a reputação do outro, mesmo quando o outro não está vendo. 

E quem tem temor de Deus sabe que cada palavra dita às custas de alguém será ouvida por Deus. 

Nenhum sussurro escapa ao Senhor.

CAPÍTULO 2

DEUS DETESTA A LÍNGUA QUE ESPALHA SEGREDOS

Quando dizemos que Deus odeia a fofoca, não é exagero. É a própria Palavra de Deus que afirma isso com clareza. Em Provérbios 6, o Senhor lista aquilo que abomina — e a língua mentirosa e o semeador de contendas estão entre os que Ele detesta.

“A língua mentirosa aborrece os seus atingidos; e a boca lisonjeira opera a ruína.”

— Provérbios 26:28

Repare: a língua que mente não apenas erra — ela aborrece, ou seja, causa repulsa ao Senhor. Deus não é indiferente à forma como falamos uns dos outros. 

Ele ouve cada palavra. 

E o que sai da nossa boca é reflexo do que habita o nosso coração.

Jesus ensinou com clareza:

“Do que sai da boca, isso contamina o homem. 

Porque do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades, os furtos, os falsos testemunhos e as blasfêmias.”

— Mateus 15:18–19

A mentira espalhada, a fofoca repetida, o segredo revelado — tudo isso nasce em um coração que não tem temor de Deus. 

Quem guarda segredo demonstra lealdade; quem o revela mostra que não tem caráter nem amor.

“O que anda mexericando revela o segredo; mas o fiel de espírito oculta a coisa.”

— Provérbios 11:13

Esta é uma marca preciosa do filho de Deus: ele sabe calar. 

Ele sabe respeitar a vida alheia.

Ele não precisa saber da vida de todo mundo para se sentir importante. 

Não precisa levantar a própria imagem rebaixando a de outrem.

Há pessoas que vivem da informação que não lhes pertence. 

Sabem tudo de todos, mas não sabem vigiar a si mesmas. 

E não percebem que, ao revelarem o que ouviram em confiança, estão provando que não são confiáveis. 

Amanhã, elas farão o mesmo com você.

Deus também diz:

“Não andarás como mexerico entre o teu povo; nem te levantarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor.”

— Levítico 19:16

Veja que isto vem diretamente da lei de Deus. 

O mexerico é proibido. 

É classificado junto com o que atenta contra a vida. 

Porque a fofoca pode não tirar a vida física, mas pode tirar a reputação, a paz, a família, a confiança — coisas tão preciosas quanto a própria vida.

Quantas pessoas foram destruídas por palavras que nunca foram provadas? 

Quantos lares se desfizeram por causa de uma frase dita fora do momento certo, fora do lugar, sem verdade? 

Quantos irmãos deixaram de se falar porque alguém levou uma palavra torta de um lado para o outro?

Deus vê tudo isso. 

E Ele diz: Eu sou o Senhor. 

Ou seja: sou Eu quem estabelece o que é certo. 

Sou Eu quem ouve cada palavra oculta. 

E sou Eu quem julgará cada língua que usou para ferir, dividir e destruir.

Que o temor de Deus ensine nossos lábios a calar quando não temos nada de bom e verdadeiro para dizer. 

Que aprendamos a proteger o nome do outro como desejamos que o nosso seja protegido.

CAPÍTULO 3

A FOFOCA DESTRÓI LARES E DIVIDE IGREJAS

Não há nada que faça mais estrago em pouco tempo do que uma palavra levada de um ouvido a outro.

Um incêndio começa com uma pequena faísca e pode consumir uma floresta inteira. Assim é a fofoca.

“Vede também os navios, que sendo tão grandes e empurrados de impetuosos ventos, se governam com um pequeno leme, para onde quer a vontade do que o governa. 

Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande um bosque acende uma pequena fagulha.”

— Tiago 3:4–5

Uma frase.

 Uma insinuação. Um “ouvi dizer”. E o estrago está feito.

Quantos casamentos enfraqueceram porque alguém veio dizer ao marido: “sua esposa falou isso de você” — sem provas, sem conversa, sem verdade? 

Quantas mães e filhos se afastaram por causa de palavras levadas por terceiros? 

Quantos irmãos na fé deixaram de se abraçar porque alguém semeou suspeita entre eles?

A igreja, que deveria ser refúgio de paz, muitas vezes se torna campo de batalha por causa de línguas descontroladas. 

Pessoas que oram juntas, cantam juntas, repartem o pão juntas — e pelas costas ferem umas às outras com palavras afiadas como espadas.

O apóstolo Paulo advertiu a igreja em Corinto:

“Porque receio que, ao chegar, não vos ache tais como desejo, e eu seja achado por vós de modo que não deseje; que haja contendas, invejas, iras, porfias, detrações, mexericos, soberbas, confusões.”

— 2 Coríntios 12:20

Veja a lista de males que o apóstolo temia encontrar: contendas, invejas, iras, detrações, mexericos. 

Repare: o mexerico está entre as coisas que trazem confusão à igreja. 

Não é algo pequeno. 

É algo que destrói a comunhão.

Quando a fofoca entra, a confiança sai. 

Cada irmão passa a desconfiar do outro. Os olhares mudam. 

Os abraços esfriam. 

E o inimigo fica feliz: sem levantar espada, sem aparecer, ele conseguiu dividir o povo de Deus — apenas com palavras levadas de um lado a outro.

A Bíblia diz que quem semeia contendas é abominável a Deus (Provérbios 6:19). 

E quem destrói a paz da igreja não está servindo a Cristo — está servindo ao que é chamado de “caluniador”, aquele que acusa os irmãos dia e noite (Apocalipse 12:10).

Não diga: “Eu não estou dividindo ninguém, só contei o que ouvi”.

Quem leva a palavra leva também a ofensa. 

Quem repete a suspeita fortalece a dúvida. 

E a divisão acontece porque a palavra foi carregada.

O lar é ferido, a igreja é ferida, o nome de Deus é ferido. 

Os de fora olham e dizem: “Vê como eles se falam mal? 

Que diferença fazem para o mundo?” — e o testemunho de Cristo é enfraquecido.

Mas há cura. 

Há caminho de volta. 

Começa quando cada um de nós decide: não serei portador de notícias más. 

Não levarei palavras que não construam. 

Não farei do meu ouvido lixeira para conversas alheias.

CAPÍTULO 4

QUEM ESCUTA E REPETE TAMBÉM É CULPADO

Muitos pensam:

Eu não falo de ninguém, só ouço e repito”. Ou pior: “Só ouço, não digo nada”.

 Mas a Palavra de Deus nos mostra uma verdade profunda: a fofoca precisa de ouvidos para sobreviver. 

Sem quem ouça, quem fala para. 

Sem quem aceite a palavra, o veneno não tem onde pousar.

“Como vento impetuoso que traz a chuva, assim é o homem bisbilhoteiro; afronta e ira e contenda não cessam.”

— Provérbios 25:23

E ainda:

“O que resguarda a sua boca conserva a sua alma; mas o que abre muito os lábios traz a si mesmo a ruína.”

— Provérbios 13:3

Mas não é só quem fala. 

Quem aceita ouvir também participa. 

Há um ditado antigo que diz: 

Quem conta um conto, aumenta um ponto; quem ouve e cala, também fala”. 

E a Bíblia vai mais fundo: quando você ouve uma fofoca sem corrigir, sem questionar, sem impedir — você está dando aval àquela mentira. Está dizendo, com o silêncio: “pode falar, eu aceito”.

O Senhor disse:

“Não receberás falso testemunho.”

— Êxodo 20:16

Não apenas “não dirás falso testemunho”. Também não receberás. 

Ou seja: não aceites, não dês ouvido, não guardes no coração aquilo que não foi provado, aquilo que foi dito sem que a outra parte fosse ouvida.

É justo julgar alguém sem que ele saiba do que é acusado? 

É justo condenar pela palavra de quem não tem coragem de falar na frente? 

Não! 

E quando você ouve e crê sem buscar a verdade, você também erra. 

Você se torna juiz sem direito, testemunha sem provas.

Paulo advertiu Timóteo:

“Contra um ancião não aceites acusação alguma, senão com duas ou três testemunhas.”

— 1 Timóteo 5:19

Mesmo na igreja, mesmo contra quem parece ter autoridade — não aceites acusação sem provas, sem testemunhas, sem oportunidade de defesa. 

Que isto seja lei no nosso coração: ninguém será julgado pela palavra de quem fala às costas.

E se alguém vier te falar mal de alguém, faça esta pergunta: 

Você já falou isso com a pessoa? 

Quer que eu vá junto conversar com ela?”. 

Veja como a maioria recua. Veja como a confidência secreta desaparece quando precisa vir para a luz.

“Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não se chega para a luz, para que as suas obras não sejam repreendidas.”

— João 3:20

Quem fala a verdade não tem medo de ser ouvido na frente. 

Quem acusa de verdade busca a luz. 

Quem semeia às escondidas foge da luz. 

E se foge da luz, não vem de Deus.

Portanto: 

feche os ouvidos ao que não edifica. 

Não seja depósito de palavras más. 

Não repita o que não provou. 

E lembre-se: o que você ouve e aceita hoje pode ser usado para dividir amanhã — e você terá participado.

CAPÍTULO 5

A RAIZ DA FOFOCA: INVEJA E ORGULHO

Por que alguém fala mal do outro? 

Muitos dizem: “é verdade, então tenho o direito de falar”. 

Mas a verdade não é para ser jogada como pedra — é para ser dita com amor, na hora certa, com o propósito de restaurar. Se não é assim, há outra raiz.

Jesus disse:

“Do coração saem os maus pensamentos… falso testemunho, blasfêmia.”

— Mateus 15:19

A fofoca não nasce no ouvido — nasce no coração. E duas raízes a fazem crescer: inveja e orgulho.

A inveja dói quando vê o bem no outro. 

Não consegue alegrar-se com a bênção alheia. Então busca manchar aquilo que não consegue ter. Se não pode brilhar, tenta apagar a luz do outro.

“Pois onde há inveja e ambição, aí há confusão e toda espécie de coisas más.”

— Tiago 3:16

O orgulho faz crer que sabe mais do que os outros. Que é dono da verdade. 

Que tem o direito de julgar a vida alheia. Levanta suspeitas porque crê que o seu olhar é sempre correto, que o seu coração é sempre puro — e o dos outros, sempre suspeito.

O orgulho também busca importância: “se eu souber o que ninguém sabe, me torno especial”. “Se eu revelar o erro do outro, pareço melhor”. Mas Deus resiste aos orgulhosos e dá graça aos humildes (Tiago 4:6).

A Bíblia mostra que até mesmo os irmãos de José falaram mal dele, o odiaram, o venderam — e a raiz era inveja. 

O pai o amava mais, e eles não suportaram. A língua se afiou, o coração endureceu, e o mal cresceu até a traição (Gênesis 37).

Saul perseguiu Davi porque as mulheres cantavam que Davi matou milhares e ele apenas centenas. 

A inveja corroeu o rei até cegá-lo (1 Samuel 18).

E você, meu irmão, minha irmã: quando fala do outro, o que move o seu coração? 

É amor que quer corrigir? 

É preocupação sincera?

 Ou é uma pontinha de inveja que não deixa alegrar-se com o bem do próximo? 

É orgulho que se acha no direito de julgar?

Examine o coração diante de Deus. 

Pergunte-Lhe: “Senhor, por que me dói ver o bem no outro?

Por que tenho prazer em saber do erro alheio? 

Por que falo antes de pensar?”.

“Purifica o meu coração, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito reto.”

— Salmo 51:10

Quando a raiz é arrancada, a língua muda. 

Quando o coração é humilhado diante de Deus, deixa de julgar e começa a orar. 

Deixa de apontar e começa a examinar a si mesmo. 

Deixa de espalhar e começa a proteger.

Que Deus nos mostre o que está escondido no fundo do coração. 

Que a inveja morra. 

Que o orgulho caia. 

E que o amor cresça — o amor que cobre multidão de pecados (1 Pedro 4:8).

CAPÍTULO 6

A LÍNGUA É UM FOGO, UM MUNDO DE MALDADE

Tiago dedica um capítulo inteiro à língua, porque sabia que ninguém consegue domá-la por si mesmo. 

E faz uma descrição que nos deve causar temor:

“A língua é um fogo, um mundo de maldade. 

A língua está posta entre os nossos membros, contaminando todo o corpo, e acendendo o curso da nossa vida, sendo acesa pelo inferno.”

— Tiago 3:6

Fogo. Fogo que vem do inferno. 

Palavras que queimam e não escolhem quem ferem. 

Quem fala com facilidade, com pouca reflexão, sem temor de Deus — carrega fogo nas mãos.

“Mas ninguém pode domar a língua dos homens; é um mal que não se pode refrear, cheia de veneno mortal.”

— Tiago 3:8

Não há força humana que consiga domá-la completamente. 

Por isso precisamos de Deus a cada instante. 

Precisamos orar com o Salmista:

“Põe uma guarda à minha boca, ó Senhor; vigia a porta dos meus lábios.”

— Salmo 141:3

Uma palavra dita não pode ser apagada. 

Pode ser perdoada, pode haver reconciliação — mas o som já viajou. 

O dano pode ficar para sempre. 

Quem já foi ferido por uma palavra levada sabe: a cicatriz demora a sarar. 

Às vezes nunca some.

Deus nos lembra que seremos julgados também por cada palavra ociosa:

“Mas eu vos digo que de toda palavra ociosa que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo.”

— Mateus 12:36

Palavra ociosa: aquela que não constrói, não corrige, não cura — apenas ocupa espaço, apenas fere, apenas diverte à custa de outrem. Toda essa palavra será lembrada. 

Não há segredo diante de Deus.

Portanto, antes de falar, faça três perguntas:

1. É verdade? 

Tenho provas? Ouvi de quem sabe, de frente?

2. É necessário? 

Preciso dizer isso? Vai ajudar alguém? Vai restaurar?

3. É com amor? 

Falo com desejo de bem, ou com desejo de ferir?

Se a resposta for não para qualquer uma delas — cale. O silêncio é sábio. O silêncio protege. 

O silêncio reflete temor de Deus.

“O que refreia as suas palavras possui o conhecimento; e o que é de espírito sereno é homem de entendimento.”

— Provérbios 17:27

Que o Senhor nos ensine a calar mais do que falamos. 

Que nossos lábios sejam portadores de graça, não de veneno. 

Que, quando abrimos a boca, seja para levantar, para consolar, para orar — nunca para destruir

CAPÍTULO 7

CONTENDAS: O INIMIGO DA UNIDADE

Contenda é mais do que uma briga. 

É o espírito de disputa que não busca a verdade — busca vencer. É o coração que prefere ter razão em vez de ter paz. 

É quem levanta questões para criar divisão, para provar que os outros estão errados.

Deus odeia contendas. Elas não nascem de Cristo — nascem do orgulho.

“A soberba só traz a contenda; mas com os que se aconselham se acha a sabedoria.”

— Provérbios 13:10

E ainda:

“O homem perverso anda buscando o mal, e sobre ele há uma linguagem que causa afronta.”

— Provérbios 16:27

Paulo advertiu Tito:

“Mas evita as questões loucas, e as genealogias, e as contendas, e as disputas da lei; porque são inúteis e vãs.”

— Tito 3:9

Veja: evita. 

Não discute com quem quer apenas brigar. 

Não explica para quem já decidiu não entender. 

Quem semeia contendas não busca luz — busca plateia. Busca lado. Busca dividir.

Jesus ensinou que a unidade é sinal de que somos Seus discípulos:

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”

— João 13:35

O inimigo sabe isto.

 Por isso ataca a unidade. 

Se conseguir que irmãos lutem entre si, o testemunho morre. 

Se conseguir que cada um puxe para seu lado, a obra para. 

E ele não precisa atacar de fora — basta semear contenda de dentro.

“O que semeia a discórdia entre irmãos é abominação ao Senhor.”

— Provérbios 6:19

Parece forte? 

É porque é forte. 

Quem divide o povo de Deus está fazendo aquilo que Deus abomina. 

Não importa o pretexto: “tenho razão”, “estou falando a verdade”, “eles estão errados”. Se o fruto é divisão, a raiz não é de Cristo.

O fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gálatas 5:22–23). 

Contenda não está na lista. 

Pelo contrário: as obras da carne são conhecidas, entre elas inimizades, contendas, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, facções (Gálatas 5:19–20).

Contenda é obra da carne, não do Espírito. 

E quem vive assim não herdará o reino de Deus. 

Isto é sério, meu irmão, minha irmã. Não podemos brincar com a unidade.

“Sendo diligentes em guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz.”

— Efésios 4:3

Guardar a unidade é nossa responsabilidade. 

É trabalho diário. 

É perdoar antes de cobrar. 

É ceder onde não há questão de consciência. 

É falar diretamente com quem nos feriu, em lugar de falar com todo mundo menos com a pessoa certa.

Que o Senhor nos tire o desejo de vencer a qualquer preço e nos ensine a buscar a paz acima de tudo.

CAPÍTULO 8

COMO RESPONDER QUANDO VIEREM FALAR MAL

Chega o momento em que alguém bate à nossa porta, ou nos chama de lado, e diz: “Você sabe o que fulano disse de você?”. .

Ou fala mal de outra pessoa, esperando que concordemos. 

O que fazer? 

Como responder sem pecar, sem ferir, sem participar?

A Palavra de Deus nos dá caminhos claros.

Primeiro: recuse ser ouvido para o mal.

“O que anda falando levianamente descobre o segredo; portanto, não te associe com quem não consegue segurar a língua.” — Provérbios 20:19

Diga com gentileza, mas firme:

Isto é algo que deves conversar com a pessoa. 

Não me sinto à vontade ouvindo isto sem que ela esteja presente”. 

Não precisa ser grosso. 

Não precisa brigar. Basta fechar a porta ao veneno.

Segundo: encaminhe para a conversa direta.

Jesus ensinou:

“Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão.”

— Mateus 18:15

Se alguém vier com uma queixa, pergunte: “Já falaste com ele sobre isso? 

Posso te ajudar a conversar com ele agora?”. 

Quem tem coragem de falar na frente não tem medo de ser acompanhado. 

Quem recusa, mostra que não busca verdade — busca aliados.

Terceiro: não julgue antes de ouvir os dois lados.

“O que responde antes de ouvir mostra que é tolo; para a sua própria confusão.”

— Provérbios 18:13

Muitos aceitam a primeira versão como verdade absoluta. 

Mas cada um conta a história do seu jeito. Espere. 

Pergunte. 

Ouve também a outra parte. 

A verdade costuma aparecer quando ambos podem falar.

Quarto: ore pela pessoa falada, não condene.

Quando alguém é difamado, a primeira reação é julgar. Mas Deus nos diz:

“Orai uns pelos outros, para que sareis.”

— Tiago 5:16

Em lugar de repetir a acusação, leve a Deus a situação: “Senhor, se isto é verdade, que haja arrependimento. 

Se é mentira, que a verdade brilhe e a paz seja restaurada. 

Toca o coração de todos nós”. 

A oração afasta o veneno do coração.

Quinto: não faça de si mesmo juiz.

“Quem sois vós para julgar o próximo?”

— Tiago 4:12

Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir (Tiago 4:12). 

Deixe Deus ser Deus. 

Você não precisa descobrir tudo. 

Não precisa resolver tudo. 

Apenas viva com retidão e deixe que a verdade se mostre com o tempo.

Quando aprendemos a responder assim, a fofoca perde força. 

O mexerico encontra portas fechadas. 

E a paz começa a voltar. 

Você não será popular com quem vive espalhando, mas será agradável a Deus. 

E isso basta.

CAPÍTULO 9

CURAR A LÍNGUA: ARREPENDIMENTO E MUDANÇA

Se você leu até aqui e sentiu que o Espírito Santo tocou o seu coração — se lembrou de palavras ditas, de segredos revelados, de conversas que feriram — não feche este livro sem esperança. 

Há cura. 

Há caminho de volta. 

A língua pode ser transformada, mas não por força própria — pela graça de Deus.

O primeiro passo é o arrependimento. 

Não é apenas pedir perdão a Deus — é reconhecer o mal, doer-se por ele, e decidir não voltar a fazer.

“Confessai as vossas faltas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis.”

— Tiago 5:16

Confessar a Deus primeiro, com sinceridade: “Senhor, pequei com a língua. 

Falei o que não devia. 

Ferí sem necessidade. 

Perdoa-me, lava-me, ensina-me a falar diferente”.

Depois, onde for possível, peça perdão também às pessoas feridas. 

Não diga: “Se te ofendi…” — diga: “Eu falei mal de ti. Errei. Peço perdão”. Isto é humildade. Isto abre caminho para a restauração.

O segundo passo é mudar o que entra. 

Porque a boca fala do que o coração está cheio. 

Se ouvimos sempre o que é vão, o que é falso, o que é maldoso — isso transborda.

“Guarda o teu coração com toda a diligência, porque dele procedem as fontes da vida.”

— Provérbios 4:23

Vigie o que você ouve. Afaste-se de quem só fala dos outros. 

Não alimente conversas que não edificam. 

Quando alguém começar a falar mal, mude de assunto. Saia do lugar. Feche a porta. Proteja o coração.

O terceiro passo é preencher com a Palavra. 

Quem conhece a Deus, quem ama a Sua Palavra, não tem tempo nem vontade de espalhar o mal do próximo.

“Tenho escondido a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.”

— Salmo 119:11

Que a Palavra encha a boca de modo que não sobre espaço para fofoca. 

Que os lábios se tornem instrumentos de bênção. 

Que aprendamos a orar mais do que comentar. 

A consolar mais do que criticar. 

A proteger mais do que expor.

O quarto passo é pedir a Deus a cada dia:

“Senhor, hoje não deixes que minha língua peque. Guarda meus lábios. 

Se não tenho algo bom e verdadeiro para dizer, cala-me. 

Que tudo o que saia da minha boca seja graça aos que ouvem.”

Deus ouve esta oração. 

Ele transforma a língua. 

O fogo que antes queimava pode se tornar luz que aquece e guia. 

Não é de um dia para o outro, mas é real. 

E cada pequena vitória é fruto da Sua graça.

CAPÍTULO 10

CORAÇÃO PURO, PALAVRAS DE VIDA

Chegamos ao último capítulo, e quero deixar no seu coração o desejo de viver diferente. 

Não apenas de falar menos — mas de amar de verdade. 

Porque no fundo, a raiz de toda mudança é o amor.

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece… tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

— 1 Coríntios 13:4–7

Repare: tudo suporta.

O amor cobre. 

O amor não expõe. 

O amor não corre para contar o erro do outro. 

O amor protege a reputação do próximo, mesmo quando ele erra.

“Acima de tudo, tende entre vês um amor fervoroso, porque o amor cobrirá multidão de pecados.”

— 1 Pedro 4:8

Não significa que o amor ignora o erro — mas não o expõe para os outros. 

Busca corrigir com mansidão, em particular, com o desejo de restaurar, não de destruir.

Quem tem coração puro não vive à custa da vida alheia. 

Não precisa rebaixar ninguém para se sentir maior. 

Não precisa saber de tudo para se sentir importante. 

Tem alegria suficiente em Deus. 

Tem paz interior que transborda para os outros.

Jesus prometeu:

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.”

— Mateus 5:9

Pacificador não é quem ignora a verdade — é quem busca a verdade e a paz. 

É quem repara antes de acusar. 

É quem une em lugar de dividir. 

É quem cobre em lugar de expor. 

É quem ora em lugar de comentar.

Que este seja o nosso compromisso final:

- Não levantar suspeitas sem provas.

- Não repetir o que não ouvimos da própria pessoa.

- Não julgar antes de ouvir os dois lados.

- Não ferir com a língua, nem deixar que falem mal do outro diante de nós sem corrigir.

- Proteger a unidade da igreja e a paz do lar.

- Falar pouco, orar muito, amar sempre.

Deus ouve cada palavra. 

Ele vê cada coração. 

E um dia, não nos perguntarão o que ouvimos — mas o que falamos e o que fizemos com a verdade.

Que o Senhor nos ensine a usar a língua para vida, para graça, para unidade. 

Que quando abrirmos a boca, seja para levantar, consolar, perdoar e bendizer o nome de Deus. 

E que cada irmão e irmã que passar por nós sinta: aqui há alguém que tem temor de Deus.

“Que a palavra de Cristo habite em vós ricamente… 

E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens.”

— Colossenses 3:16, 23

ORAÇÃO FINAL

Senhor Deus, Pai de toda luz e toda verdade, venho diante de Ti com o coração aberto. Reconheço que muitas vezes pequei com a língua. 

Falei o que não devia, ouvi o que não devia, repeti o que não era meu contar. Perdoa-me, Senhor. 

Lava-me com o sangue de Jesus.

Arranca do meu coração toda inveja, todo orgulho, todo desejo de fofoca e de divisão. Ensina-me a calar quando não tenho palavras de vida. 

Ensina-me a proteger o próximo como desejo ser protegido.

Dá-me coragem de repreender com amor e sabedoria quando ouvir palavras más. 

E faz de mim um pacificador.

Que a minha língua seja instrumento de bênção, de consolo, de verdade. 

Que ao invés de dividir, eu una. Ao invés de julgar, eu ore. 

Ao invés de espalhar, eu cale e proteja.

Governa os meus lábios, Senhor. Guarda a porta da minha boca. 

E que tudo o que eu falar e viver seja para a Tua glória. 

Em nome de Jesus, amém.

LIVRO JARDIM DA INOCÊNCIA

 

LIVRO JARDIM DA INOCÊNCIA

Autor: Carlos Alberto Cândido da Silva

Ministério: Assembleia de Deus Providência do Céu

Contato: 1195725-5927

Data: 06/10/2026

DEDICATÓRIA

A Ti, Pai de toda graça, que plantaste no coração humano a saudade do Paraíso perdido. 

A todos os que sentem no peito a dor de ter se afastado, mas que ainda ouvem o chamado suave: 

Onde estás?" — este livro é dedicado com amor e esperança. 

Que cada página seja um passo de volta à Tua presença.

SUMÁRIO

Capítulo 1 — A Voz que soava ao Entardecer

Capítulo 2 — O Jardim e a Comunhão Original

Capítulo 3 — A Escolha que Mudou Tudo

Capítulo 4 — Da Luz para as Trevas

Capítulo 5 — A Saudade que Não Se Apaga

Capítulo 6 — Deus que Procura o Perdido

Capítulo 7 — O Caminho de Volta ao Jardim

Capítulo 8 — Arrependimento: a Porta da Entrada

Capítulo 9 — Restauração: Recuperando a Inocência em Cristo

Capítulo 10 — O Jardim Eterno que Há de Vir


INTRODUÇÃO

Quero voltar  ao jardim da inocência estas palavras não são apenas momento e sim..

São o grito de toda alma que um dia caminhou com Deus e, por um momento, soltou a Sua mão. 

Há em cada ser humano uma memória gravada pelo Criador: a lembrança de um tempo em que não havia medo, nem vergonha, nem distância entre a criatura e o Criador.

Este livro fala dessa saudade. 

Fala da perda, mas sobretudo fala da graça que busca, da misericórdia que perdoa e do sangue de Jesus que restaura. 

A Palavra de Deus nos mostra que o jardim da inocência não está perdido para sempre. 

Há um caminho de volta. 

Ele é Jesus.


      ............MENSAGEM DO LIVRO.............

A saudade que você sente não é em vão. 

Ela foi plantada por Deus para te conduzir de volta ao Seu coração. 

O jardim da inocência não é um sonho distante — é uma realidade acessível hoje, através de Jesus Cristo. 

Ele pagou o preço da nossa volta. 

A porta está aberta. O Pai está à espera.

Não fique longe. 

Volte. Ele corre ao teu encontro.

Toda a Escritura citada foi retirada da Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.


CAPÍTULO 1 — A VOZ QUE SOAVA AO ENTARDECER

"E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia..."

— Gênesis 3:8

Antes de qualquer som de condenação, havia a voz do Senhor. 

No Éden, não existiam barreiras. Deus vinha pessoalmente encontrar os Seus filhos.

Caminhava com eles, conversava com eles, compartilhava da Sua presença com eles. 

Isso era comunhão plena.

A inocência não era apenas ausência de pecado — era presença de Deus. 

O coração de Adão e Eva estava totalmente aberto, sem máscaras, sem defesas, sem medo.

Quando a Bíblia diz que Deus passeava à viração do dia, revela-nos o desejo do coração de Deus: 

Ele quer estar perto de nós. 

Ele não é um Deus distante, observando de longe. 

Ele é o Deus que vem caminhar ao nosso lado.

Salmos 139:7-10 diz:

"Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença? 

Se subir ao céu, tu estás ali; se fizer a minha cama no inferno, eis que tu estás lá..."

Mesmo depois da queda, essa presença continua buscando. 

Aquela voz que era ouvida com alegria tornou-se, para o coração culpado, motivo de esconderijo — mas nunca deixou de chamar. 

A saudade que sentimos é a ressonância daquela voz que o pecado tentou abafar, mas que o coração reconhece: é a voz do Pai.

CAPÍTULO 2 — O JARDIM E A COMUNHÃO ORIGINAL

"E plantou o Senhor Deus um jardim em Éden, ao oriente; e ali colocou o homem que havia formado."

— Gênesis 2:8

Deus não criou o homem para viver sozinho, nem para viver em meio à confusão. 

Preparou um lugar especial: o Jardim do Éden. 

Tudo ali falava de amor, de cuidado, de provisão. 

Cada árvore era boa de comer e formosa à vista (Gênesis 2:9). 

Não havia dor, nem cansaço, nem decepção. 

Havia apenas a doce harmonia entre o céu e a terra, entre o Criador e a criatura.

A comunhão naqueles dias era natural e profunda. 

Adão não precisava lutar para sentir Deus; Ele estava presente em tudo. 

O dever de cuidar do jardim não era fardo, mas alegria. 

Tudo era santo, puro, verdadeiro — essa é a essência da inocência: viver sem ocultar nada, sem fingir, sem temer.

Em Atos 17:27, a Palavra nos ensina:

"Para que buscassem ao Senhor, se porventura, apalpando, o achassem; visto que não está longe de cada um de nós."

O Jardim nos lembra que a proximidade com Deus é o nosso estado original. 

Fomos feitos para Ele. 

Como diz Agostinho:

O nosso coração está inquieto até que descanse em Ti." 

A saudade do jardim é, na verdade, a saudade de Deus mesmo.

CAPÍTULO 3 — A ESCOLHA QUE MUDOU TUDO

"E a mulher viu que a árvore era boa para se comer, e que era agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento... tomou do seu fruto, e comeu..."

— Gênesis 3:6

Se eu pudesse voltaria atrás e não faria novamente o que fiz...

Esta é a voz de todo coração que escolheu o caminho errado. 

O pecado não entrou no mundo como um vendaval assustador; veio disfarçado em algo bonito, atraente, promissor. 

A serpente não apresentou o fruto como maldade — apresentou como vantagem: "sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" (Gênesis 3:5).

A escolha parecia pequena, mas teve consequências imensas. 

Trocaram a vontade perfeita de Deus pela própria vontade. 

Trocaram a presença segura pela ilusão de independência. 

E o que aconteceu? Imediatamente, os olhos se abriram — não para a glória, mas para a vergonha. 

Descobriram que estavam nus e tentaram se cobrir com folhas de figueira: uma obra humana que jamais consegue esconder o pecado diante de Deus.

Tiago 1:14-15 nos alerta:

"Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.

 Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte."

O caminho que parecia levar à liberdade levou à escravidão. 

O que parecia dar sabedoria trouxe cegueira. 

E a comunhão foi rompida — não porque Deus se afastou, mas porque o homem fugiu.

CAPÍTULO 4 — DA LUZ PARA AS TREVAS

"Troquei minha comunhão, pela escuridão da noite. Em trevas tornei os meus dias..."

"E eles ouviram a voz do Senhor Deus... e esconderam-se o homem e a sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim."

— Gênesis 3:8

Quando o pecado entra, a luz sai. 

O que antes era alegria de estar com Deus torna-se medo de encontrá-Lo. 

Adão respondeu:

Ouvi a tua voz no jardim, e tive medo, porque estava nu; e escondi-me" (Gênesis 3:10).

A escuridão interior começa com o afastamento. 

Deixamos de falar com Deus livremente.

Passamos a ocultar partes de nós mesmos. 

As folhas de figueira viram máscaras, aparências, fingimento. 

Vivemos como se Deus não visse — mas a alma sabe que Ele vê.

O profeta Isaías descreve bem essa condição.

"Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados escondem o seu rosto de vós, de modo que não ouve."

— Isaías 59:2

A escuridão não é apenas ausência de luz; é a presença do pecado construindo muros entre nós e o Pai. 

Os dias que eram plenos tornam-se vazios. 

As noites trazem solidão. 

E no silêncio, a alma percebe: perdemos algo que nenhum bem material, nenhum prazer, nenhum sucesso consegue repor.

CAPÍTULO 5 — A SAUDADE QUE NÃO SE APAGA

"Ah que vontade de andar contigo! Tenho de Te ver ao entardecer..."

"Por que estás abatido, ó minha alma? 

E por que te perturbas dentro de mim? 

Espera em Deus, pois ainda o louvarei; ele é a salvação da minha face e o meu Deus."

— Salmo 42:5

Por mais que tentemos preencher o vazio com coisas do mundo, algo em nós continua sentindo falta. 

Essa saudade não é fraqueza — é o sopro de Deus em nós, lembrando-nos de que fomos feitos para algo maior. 

O mundo oferece festas, conquistas, prazeres — mas não oferece a presença que acalma a alma.

O filho pródigo sentiu isso no fundo da sua miséria:

"Estando ele ainda longe, o seu pai o viu, e foi movido de íntima compaixão..."

— Lucas 15:20

Mesmo quando estamos distantes, a lembrança do amor de Deus permanece. 

A saudade é o primeiro sinal de que o coração está prestes a despertar. 

Não fuja dessa saudade. 

Não tente afogá-la em distrações. 

Ela é o fio de ouro que o Pai usa para puxar você de volta para casa. 

Como diz Jeremias 31:3:

"Com amor eterno te amei; com benignidade te atraí."

CAPÍTULO 6 — DEUS QUE PROCURA O PERDIDO

"E chamou o Senhor Deus ao homem, e lhe disse: Onde estás?"

— Gênesis 3:9

Esta é a pergunta mais linda e comovente de toda a Bíblia. 

Não é uma pergunta de julgamento — é uma pergunta de amor. 

Deus sabia onde Adão estava. 

Perguntou para que ele mesmo dissesse. 

Para que ele respondesse e voltasse.

Deus não ficou no céu, bravo e de braços cruzados, esperando o homem voltar. 

Ele foi procurar. 

Foi ao encontro. 

E faz o mesmo com você. 

Enquanto ainda andava em trevas, Jesus veio buscar:

"O Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido."

— Lucas 19:10

Não foi o homem que encontrou Deus — foi Deus que encontrou o homem. 

Na cruz, Jesus assumiu todas as consequências da nossa escolha errada. 

Ele foi ferido para nos curar, rejeitado para nos acolher, afastado do Pai para que nunca mais estivéssemos sós.

"Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades..."

— Isaías 53:5

A pergunta "Onde estás?" continua soando hoje. Chega até você nestas linhas. 

O Pai está à porta, batendo (Apocalipse 3:20), esperando que abramos.

CAPÍTULO 7 — O CAMINHO DE VOLTA AO JARDIM

"Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim."

— João 14:6

Não há outro caminho de volta. 

Nenhuma religião, nenhuma obra humana, nenhum esforço próprio consegue reconstruir a ponte que o pecado destruiu. 

Só Jesus. 

Ele é o único Caminho.

No Éden, o homem foi expulso e colocaram querubins e uma espada flamejante para guardar o caminho da árvore da vida (Gênesis 3:24). 

Mas na cruz, Jesus abriu um caminho novo e vivo através do véu, ou seja, da Sua carne (Hebreus 10:20). 

A espada que nos impedia foi cravada no coração do Salvador. 

Agora o caminho está livre!

"Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus."

— Romanos 8:1

Voltar ao jardim não é voltar ao Éden geográfico — é voltar à comunhão perdida. 

É orar e sentir que Deus ouve. 

É abrir o coração sem medo. 

É andar com Ele de novo, à viração do dia. Isso está disponível a todo aquele que crê. 

O caminho tem um nome: Jesus. 

E Ele diz:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mateus 11:28).

CAPÍTULO 8 — ARREPENDIMENTO: A PORTA DA ENTRADA

"Sinto tanta falta, preciso ter de volta..."

"Dizei-lhes: Assentai vossos corações nos vossos caminhos."

— Ageu 1:5

O retorno começa com uma decisão: reconhecer que erramos e voltar. 

Arrependimento não é apenas sentir tristeza — é mudança de mente e de direção. 

É parar de correr para longe e começar a correr de volta.

"Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus..."

— 2 Crônicas 7:14

O filho pródigo não apenas sentiu saudade — levantou-se e foi (Lucas 15:18). 

Confessou seus pecados sem inventar desculpas. 

E o Pai correu ao seu encontro.

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça."

— 1 João 1:9

Não importa o que fez. 

Não importa quanto tempo passou. 

A porta não está fechada — está entreaberta, esperando você bater. Diga hoje: "Senhor, eu volto. 

Perdoa-me. Recebe-me de novo."

CAPÍTULO 9 — RESTAURAÇÃO: RECUPERANDO A INOCÊNCIA EM CRISTO

"Pegar em tuas mãos e voar... Pela imensidão da terra e Te adorar! A paz que me fazia adorar..."

"E o Senhor teu Deus te circuncidará o teu coração, e o coração da tua descendência, para que ames ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, para que vivas."

— Deuteronômio 30:6

Não podemos voltar à inocência de antes — mas Deus nos dá algo ainda maior: a inocência restaurada pelo sangue do Cordeiro. 

Não por mérito nosso, mas por graça. 

O salmo diz:

"Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto."

— Salmo 51:10

Quando nos rendemos a Cristo, recebemos um coração novo. 

As feridas do passado são saradas. 

A vergonha é substituída pela alegria da salvação. 

Voltamos a andar de mãos dadas com o Pai. 

A comunhão retoma — e é mais profunda agora, porque sabemos o preço que foi pago para nos trazer de volta.

"Eu lhes darei um só coração, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra..."

— Ezequiel 36:26

Você pode hoje pegar a mão do Senhor de novo. Pode caminhar com Ele, conversar com Ele, sentir a Sua presença. 

O jardim não está perdido — está restaurado em Cristo Jesus.

CAPÍTULO 10 — O JARDIM ETERNO QUE HÁ DE VIR

"E me mostrou o rio puro da água da vida, brilhante como o cristal, que saía do trono de Deus e do Cordeiro. 

No meio da praça da cidade, e de cada lado do rio, estava a árvore da vida..."

— Apocalipse 22:1-2

O Éden perdido foi apenas uma sombra. 

O que Deus preparou para os Seus é muito maior e nunca mais será perdido. 

O jardim do passado teve uma saída; o do futuro terá entrada eterna. 

Lá não haverá mais partida, nem despedida, nem noite.

"E não haverá ali nenhuma maldição; e o trono de Deus e do Cordeiro estará nela; e os seus servos o servirão."

— Apocalipse 22:3

A saudade que sentimos hoje é a antecipação daquela glória. 

Um dia, a voz que ouvimos ao entardecer ouviremos para sempre, sem interrupção. 

Andaremos com Ele e nunca mais nos afastaremos.

"E Deus limpará dos seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor..."

— Apocalipse 21:4

Enquanto esse dia não chega, viva hoje no jardim da graça. 

Caminhe com Ele agora. 

Fale com Ele agora. 

Não adie o retorno. O Pai está esperando.

ORAÇÃO FINAL 

Pai amado,

Ouve o grito do meu coração. Sinto falta de Ti. Sinto falta da Tua voz, da Tua presença, da paz que só Tu dás. 

Reconheço que me afastei e que escolhi caminhar por outros caminhos. 

Mas hoje volto. 

Não tenho nada para oferecer senão a minha necessidade e a minha fé no Teu perdão.

Perdoa-me, Senhor. 

Lava-me no sangue de Jesus. 

Cria em mim um coração puro. 

Restaura a comunhão que perdi. 

Faz com que eu caminhe de novo contigo, à viração do dia, de mãos dadas, sem medo, sem máscaras, com a inocência que só a Tua graça concede.

 

Um dia espero chegar ao Teu jardim eterno e nunca mais me separar de Ti. 

Até lá, segura a minha mão. Em nome de Jesus, Amém.

LIVRO A PORTA QUEM ABRIR É DEUS

  LIVRO A PORTA QUEM ABRIR É DEUS Autor: Carlos Alberto Cândido da Silva Ministério: Assembleia de Deus Providência do Céu Contato: 11 95725...