LIVRO OS CINCO SENTIDOS DADOS POR DEUS
Autor: Carlos Alberto Cândido da Silva
Ministério: Assembleia de Deus Providência do Céu
Contato: 1195725-5927
Data: 06 /10/2026
DEDICATÓRIA
A Deus Pai, Criador de todas as coisas, que com sabedoria perfeita formou o corpo humano e o dotou de maravilhas sem iguais.
A cada irmão e irmã que busca enxergar, ouvir e sentir mais profundamente a presença do Senhor em todos os dias da vida.
Que este livro seja instrumento para que os sentidos que Ele nos deu sejam devolvidos a Ele em adoração e serviço.
SUMÁRIO
Capítulo 1 — O Deus que cria e dá: os sentidos como dom
Capítulo 2 — A Visão: contemplar a glória e enxergar o caminho
Capítulo 3 — A Audição: ouvir a Voz que fala à alma
Capítulo 4 — O Olfato: perceber a presença e as atmosferas do Reino
Capítulo 5 — O Paladar: provar, experimentar e reconhecer a bondade de Deus
Capítulo 6 — O Tato: toque, cura, proximidade e a presença tangível de Deus
Capítulo 7 — Sentidos desviados: quando usamos o que é de Deus para o que não é de Deus
Capítulo 8 — Sentidos treinados: crescer na percepção do Espírito
Capítulo 9 — Quando os sentidos falham: a fé que vai além do que se sente
Capítulo 10 — Devolvendo os sentidos ao Doador: viver para a glória de Deus
Oração Final
...........MENSAGEM DO LIVRO..............
“Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.”
— Salmo 34:8
Cada manhã, quando abres os olhos, ouves um som, sentes o ar, o toque, o sabor — estás recebendo mais do que apenas funções do corpo. Estás recebendo uma nova misericórdia do Senhor.
Os cinco sentidos não são acidente da natureza. São dons de Deus, dados para que conheçamos a criação, sirvamos ao próximo e, acima de tudo, encontremos o Criador.
Mas os sentidos também podem ser desviados — e por isso precisam ser guardados, treinados e devolvidos a Quem os deu.
Este livro não é apenas sobre olhos, ouvidos, nariz, boca e mãos.
É sobre a vida que Deus nos confiou, e como vivê-la para a glória dEle.
Que cada página desperte em ti um olhar mais atento, um ouvido mais sensível, um coração mais cheio de Deus.
CAPÍTULO 1 — O DEUS QUE CRIA E DÁ: OS SENTIDOS COMO DOM
No início da Bíblia, a primeira coisa que lemos é que Deus criou.
E quando Ele criou o ser humano, não o fez como uma obra incompleta. Ele formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente (Gênesis 2:7).
Em cada detalhe do corpo humano, vemos a sabedoria de Deus.
Os cinco sentidos — visão, audição, olfato, paladar e tato — não são meras funções biológicas que aconteceram por acaso.
São dons, ferramentas que o Senhor nos entregou para vivermos, conhecermos a Sua criação e, acima de tudo, conhecermos a Ele mesmo.
O Salmo 139:13–14 canta com profunda admiração: “Pois tu formaste os meus rins; teceste-me no seio de minha mãe.
Louvo-te porque de modo tremendo e maravilhoso foste feito; admiráveis são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.” Deus não apenas nos fez;
Ele nos fez com intenção, propósito e generosidade.
Cada sentido é uma porta que Ele abriu para que entremos em relação com o mundo que criou e com o próprio Criador.
Pense com atenção: sem a visão, não veríamos o nascer do sol, a beleza das montanhas, o rosto de quem amamos, nem as linhas da Escritura que nos guiam.
Sem a audição, não ouviríamos a voz de conforto, o louvor que eleva a alma, nem a Palavra que transforma.
Sem o olfato, não sentiríamos o aroma da chuva, das flores, nem o perfume que representa adoração.
Sem o paladar, não saberíamos o sabor do pão que nos sustenta, nem da fartura que Deus prepara.
Sem o tato, não sentiríamos o calor de um abraço, nem o toque que traz cura e esperança.
Mas há algo ainda mais profundo: os sentidos foram dados para servir também à vida espiritual.
O apóstolo Paulo diz em Romanos 1:20 que “as coisas invisíveis dele, desde a criação do mundo, são claramente vistas, sendo compreendidas por meio das coisas que são feitas”.
Os sentidos físicos são como janelas que nos levam a enxergar o que é espiritual.
O que vemos com os olhos nos lembra que existe um Deus invisível que faz tudo belo.
O que ouvimos com os ouvidos nos ensina a discernir a Voz que não se escuta com ruído, mas no silêncio do coração.
Muitas vezes vivemos recebendo esses dons como se fossem garantidos, como se fossem nossos por direito.
Mas a verdade é que a cada manhã, quando abrimos os olhos, quando escutamos o canto dos pássaros, quando sentimos o ar entrando em nossos pulmões, estamos recebendo uma nova misericórdia.
Como diz Lamentações 3:22–23: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã.
Grande é a tua fidelidade.”
Os sentidos não pertencem a nós; são empréstimos do Senhor.
Eles foram dados para que, por meio deles, nós O glorifiquemos.
Neste livro, vamos percorrer cada um desses dons com respeito, gratidão e temor, buscando entender não apenas como funcionam, mas para que foram dados — e como devemos usá-los para o Reino de Deus.
CAPÍTULO 2 — A VISÃO: CONTEMPLAR A GLÓRIA E ENXERGAR O CAMINHO
O primeiro sentido que Deus nos concedeu é a visão.
E com razão foi assim, pois logo após criar a luz, Deus viu que a luz era boa (Gênesis 1:3–4).
O próprio Deus enxerga com clareza tudo o que faz, e ao criar os olhos do ser humano, Ele nos deu a capacidade de participar da alegria de contemplar a Sua obra.
Os olhos são chamados na Bíblia de “lâmpada do corpo”.
Jesus disse em Mateus 6:22: “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.”
Isso nos ensina que a visão não serve apenas para enxergar caminhos físicos, mas também para receber luz espiritual.
O que escolhemos olhar molda quem nos tornamos.
Quando fixamos os olhos no Senhor, como fazia o salmista que dizia “eleva os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro” (Salmo 121:1), a nossa força se renova.
Quando olhamos para o mundo com cobiça, descontentamento ou inveja, o corpo se enche de trevas.
Há dois tipos de visão que precisamos cultivar: a visão externa e a visão interior.
Pela visão externa, contemplamos a criação.
O Salmo 19:1 proclama: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.”
Quem abre os olhos para o mundo e não vê Deus, vê mal.
Quem olha para uma flor, para o mar, para o céu estrelado e não sente adoração, precisa orar para que Deus abra os olhos do entendimento.
Pela visão interior, enxergamos o que os olhos físicos não alcançam.
O apóstolo Paulo orou pela igreja pedindo que “o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele; iluminando os olhos do vosso entendimento” (Efésios 1:17–18).
Essa é a visão mais importante: perceber a vontade de Deus, enxergar o propósito nos sofrimentos, ver além das circunstâncias.
Moisés foi um homem que aprendeu a enxergar assim.
Ele liderou o povo sem ver o destino, mas confiando Naquele que é invisível.
Como diz Hebreus 11:27: “…perseverou, como vendo aquele que é invisível.”
Essa é a verdadeira visão: não depender do que aparece diante dos olhos, mas fixar o olhar em Jesus, o autor e consumador da fé (Hebreus 12:2).
Cuidemos, porém, para que os nossos olhos não se desviem.
A Bíblia nos adverte que o olho pode causar queda. Em 1 João 2:16 somos avisados sobre “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida”.
O que vemos e desejamos fora de Deus vai roubar a nossa paz.
Por isso, o rei Davi fez um propósito: “Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?” (Jó 31:1).
Que possamos fazer o mesmo: direcionar o olhar para o que é puro, para o que é verdadeiro, para o que vem de Deus.
CAPÍTULO 3 — A AUDIÇÃO: OUVIR A VOZ QUE FALA À ALMA
Se os olhos nos levam a contemplar, os ouvidos nos dão a oportunidade de ouvir.
E que dom precioso é este! Desde o Éden, Deus falava com o homem (Gênesis 3:8).
Ele não criou seres mudos nem se afastou em silêncio; Ele fala, convida, orienta.
O ouvido foi dado para escutar — e a primeira escuta deve ser para o Senhor.
O Salmo 85:8 diz: “Ouvirei o que Deus, o Senhor, disser; porque falará de paz ao seu povo e aos seus santos.”
Quem tem ouvidos para ouvir a Deus encontra direção, consolo e vida. Jesus repetiu diversas vezes: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 2:7).
Isso mostra que nem todos ouvem da mesma forma.
Há ouvidos que se fecham por orgulho, há ouvidos que se tapam com o ruído do mundo, e há ouvidos que se abrem com humildade.
A audição espiritual exige calma e atenção. Muitas vezes, falamos muito, fazemos barulho, corremos demais — e Deus fala num sussurro suave, e não O escutamos.
O profeta Elias aprendeu isso no monte.
O vento forte veio, mas Deus não estava no vento; depois o terremoto, depois o fogo — e só depois veio uma “voz suave e delicada” (1 Reis 19:11–12). Para ouvir Deus, precisamos silenciar o ruído dentro de nós.
Mas não basta apenas ouvir; é preciso praticar o que se ouve. Tiago 1:22 adverte com firmeza: “Sede, porém, praticadores da palavra, e não somente ouvidores, enganando-vos a vós mesmos.”
Quem ouve e não faz, é como quem olha o próprio rosto no espelho e logo esquece como é. O ouvido foi feito para receber a Palavra, mas o coração deve transformá-la em obediência.
Também precisamos ter sabedoria para discernir quais vozes escutar.
O mundo fala muitas coisas: medo, desânimo, vaidade, promessas vazias.
O inimigo também fala, sussurrando dúvidas sobre o amor de Deus.
Por isso, João nos ensina a “não crer em todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus” (1 João 4:1).
Que os nossos ouvidos sejam treinados para reconhecer a Voz do Bom Pastor, pois “as suas ovelhas ouvem a sua voz, e ele chama as suas ovelhas pelo nome e as guia” (João 10:3–4).
Ouvir Deus é garantia de caminho seguro.
Como diz Isaías 30:21: “Os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo:
Este é o caminho, andai por ele, quando vos desviares, nem para a direita nem para a esquerda.”
Que cada som que chegue aos nossos ouvidos seja pesado diante da Palavra, e que a nossa maior alegria seja ouvir do Senhor: “Bem, servo bom e fiel.”
CAPÍTULO 4 — O OLFATO: PERCEBER A PRESENÇA E AS ATMOSFERAS DO REINO
Entre os sentidos, o olfato é talvez o mais sutil e ao mesmo tempo o mais profundo em sentido espiritual.
Ele nos lembra de coisas que o tempo não apaga, de presenças que marcaram a vida.
Na Escritura, o aroma aparece repetidamente ligado à presença de Deus, à adoração e ao que é santo.
No livro do Êxodo, Deus deu ordens precisas sobre a preparação do incenso que era queimado diante dEle: “e farão dele incenso, composição de perfeito perfume, obra de perfumista, salgado, puro e santo” (Êxodo 30:35).
Esse aroma subia e representava as orações do povo, que chegavam diante do Senhor como algo precioso.
Hoje, não mais queimamos incenso de ervas e especiarias, mas as nossas orações e vidas devem ser um aroma suave diante de Deus. Como diz 2 Coríntios 2:15:
Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo entre os que se salvam e entre os que se perdem.”
Isso significa que a nossa vida tem um “cheiro” espiritual.
Quem vive perto de Deus traz consigo uma atmosfera diferente — de mansidão, de perdão, de alegria que não vem do mundo.
As pessoas sentem isso, sem saber explicar.
Assim como não vemos o perfume, mas sentimos a sua presença, também a presença de Cristo em nós é percebida mesmo sem palavras.
Mas o olfato espiritual também serve para discernir o que não é de Deus.
Assim como sentimos o mau cheiro e nos afastamos, o crente deve perceber quando um ambiente ou ensinamento não vem do Senhor.
Há ensinos que parecem bons, mas trazem orgulho, divisão ou ganância — e o coração que aprendeu a sentir a presença de Deus percebe que algo está errado.
A Bíblia diz que os falsos mestres trazem consigo “a peste da perdição” (2 Pedro 2:1) — algo que corrompe e afasta da verdade.
O perfume também está ligado ao sacrifício e à entrega.
Quando Maria derramou o perfume caro sobre os pés de Jesus, a casa se encheu do aroma (João 12:3).
Ninguém ficou indiferente.
Assim deve ser a nossa adoração: generosa, sem medida, deixando que a presença de Cristo se espalhe por onde passarmos.
Que ninguém saia do nosso lado pior do que entrou; que todos sintam, mesmo que levemente, o aroma do Reino.
Que o Senhor nos ensine a “sentir” o que Lhe agrada.
Que possamos dizer como no Cântico dos Cânticos 1:3: “À fragrância dos teus excelentes perfumes, as virgens te amam.”
Quem vive perto de Deus exala o Seu amor sem querer, e atrai corações para o Pai.
CAPÍTULO 5 — O PALADAR: PROVAR, EXPERIMENTAR E RECONHECER A BONDADE DE DEUS
Diz o salmista: “Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia” (Salmo 34:8).
O paladar é o sentido que nos leva a experimentar, a conhecer por experiência própria.
Não basta ouvir falar de Deus; é preciso provar a Sua bondade.
O paladar nos lembra que a fé não é apenas conhecimento na cabeça, mas sabor real na alma.
Cada alimento que recebemos é dom de Deus. Jesus mesmo, ao alimentar multidões, agradeceu antes de distribuir (Mateus 14:19). O pão, a água, o fruto — tudo vem da mão generosa do Pai.
O paladar nos ensina a gratidão: não comer apenas para encher a barriga, mas saborear cada bocado como uma prova do cuidado de Deus.
Em Deuteronômio 8:3 está escrito: “…e te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem.”
O alimento físico nos lembra que existe um alimento espiritual que sustenta para a vida eterna: a Palavra de Deus.
O apóstolo Pedro fala sobre isso: “Desejai ardentemente o leite racional, não adulterado, para que por ele cresçais para a salvação, se é que já provastes que o Senhor é benigno” (1 Pedro 2:2–3).
Quem prova o Senhor, quer mais dEle.
Quem experimentou o perdão, a paz e a alegria que só Deus dá, não quer mais se saciar com as migalhas que o mundo oferece. O sabor do mundo passa rápido, deixa gosto amargo e vazio; o sabor de Deus permanece para sempre.
Mas o paladar também precisa ser purificado. Muitas vezes achamos sem graça o que é de Deus porque nos acostumamos com o que é doce ao nosso modo — elogios, sucessos, caminhos fáceis.
Quando Deus pede obediência, paciência ou sacrifício, achamos “sem graça”. Precisamos orar para que Deus nos dê o gosto pelas coisas dEle.
O profeta Ezequiel comeu o rolo da Palavra e disse que lhe foi doce como mel na boca (Ezequiel 3:3).
A Palavra de Deus é doce para quem a recebe com humildade.
E há também o aviso: há coisas que parecem doces no início, mas no fim trazem amargor. “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte” (Provérbios 14:12).
O pecado promete prazer, mas deixa o coração vazio e ferido.
Que o nosso paladar esteja treinado para reconhecer o que realmente nutre a alma — e que cada dia possamos dizer com sinceridade: “Eu provei, e vi que o Senhor é bom.”
CAPÍTULO 6 — O TATO: TOQUE, CURA, PROXIMIDADE E A PRESENÇA TANGÍVEL DE DEUS
O toque é o sentido da proximidade.
É o contato que diz “estou aqui”, “não estás sozinho”. Deus criou as mãos e a pele para que pudéssemos sentir o calor do outro — e, de maneira especial, para sentir o toque dEle.
Vemos ao longo dos Evangelhos que Jesus usou o toque com frequência. Ele tocou os doentes, os tristes, os que ninguém queria aproximar-se.
Ao tocar, Ele levava cura, aceitação e esperança.
Um leproso aproximou-se de Jesus e disse: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me.
E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo:
Quero; sê limpo. E logo ficou limpo da sua lepra” (Mateus 8:2–3).
Naquela época, ninguém tocava em leprosos. Eles eram considerados impuros, afastados de todos.
Mas Jesus tocou — e naquele toque, não houve contaminação, houve cura.
O toque de Deus não se afasta de nós; Ele se aproxima para nos levantar.
Também nós precisamos aprender a usar o toque com sabedoria e amor.
Um abraço oportuno consola quem chora; um aperto de mão firme fortalece quem está fraco; um toque suave no ombro diz “estou contigo”.
Mas devemos fazê-lo com respeito, pureza e temor, pois o corpo é templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19).
O tato foi dado para construir, proteger e acolher — nunca para ferir, usar ou desrespeitar.
Há também o toque da fé. A mulher que sofria de hemorragia há doze anos pensou: “Se eu tão-somente tocar a sua veste, ficarei sã” (Mateus 9:21).
Ela não chegou perto de Jesus com grandiosas palavras; chegou com fé simples — e foi curada. Isso nos lembra que basta nos achegarmos a Cristo, mesmo com as mãos vazias, com o coração ferido, e Ele nos sentirá.
Como Jesus disse: “Alguém me tocou; porque bem percebi que saiu poder de mim” (Lucas 8:46).
E quando não podemos tocar fisicamente, Deus nos toca de outras formas — por uma palavra enviada no momento certo, por um consolo que vem do céu, por uma força que não temos de onde vem. O apóstolo Paulo escreveu:
A vossa fé, a esperança e o amor estão em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo… porque a mão de Deus esteve conosco” (cf. Colossenses 1:3–5).
Deus toca hoje, como tocou nos dias de Jesus. Que as nossas mãos sejam extensões do Seu amor — levando cura, acolhimento e verdade onde quer que formos.
CAPÍTULO 7 — SENTIDOS DESVIADOS: QUANDO USAMOS O QUE É DE DEUS PARA O QUE NÃO É DE DEUS
Cada um dos cinco sentidos é bom, puro e vindo de Deus — mas todos podem ser desviados.
O inimigo não precisa criar coisas novas para nos afastar de Deus; basta desviar o que já foi dado para o bem. Os olhos que deveriam contemplar a glória passam a cobiçar.
Os ouvidos que deveriam ouvir a Palavra passam a escutar fofocas e conselhos vazios.
O nariz que deveria sentir o aroma do Reino passa a se acostumar com o mundo.
A boca que deveria provar a bondade passa a se encher de amargura.
As mãos que deveriam acolher passam a agredir ou se fechar para a ajuda.
A Bíblia descreve com clareza o que acontece quando os sentidos se corrompem.
No tempo dos juízes, diz-se:
Não havia rei em Israel, mas cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (Juízes 21:25).
Quando os olhos deixam de olhar para Deus e passam a olhar apenas para si mesmos, a desordem chega rápido.
O rei Davi, homem segundo o coração de Deus, caiu quando desviou os olhos e depois os passos (2 Samuel 11).
Se um homem tão fiel caiu assim, quem somos nós para nos julgar seguros?
Os ouvidos também se corrompem quando só querem ouvir o que agrada.
Paulo advertiu: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina, mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si mestres segundo os seus próprios desejos; e desviarão os ouvidos da verdade, se voltando para fábulas” (2 Timóteo 4:3–4).
Cuidado com o que você deixa entrar!
Se só ouvimos quem confirma os nossos erros, perdemos a direção.
O paladar se perverte quando achamos o pecado mais gostoso que a presença de Deus.
O tato se desvia quando usamos o outro para o nosso próprio prazer, sem amor, sem respeito, sem temor.
O olfato se embota quando nos acostumamos com o mal e deixamos de sentir que algo está errado.
Mas há esperança!
O Senhor não abandona quem se arrepende.
Se os seus sentidos foram levados para caminhos errados, hoje é o dia de voltar.
Se, porém, vos convertires ao Senhor, o vosso coração e a alma serão purificados” (2 Crônicas 30:8).
Deus pode restaurar cada sentido: dar olhos que vejam, ouvidos que ouçam, um coração que sinta novamente.
A porta está aberta. Basta voltar.
CAPÍTULO 8 — SENTIDOS TREINADOS: CRESCER NA PERCEPÇÃO DO ESPÍRITO
Assim como o corpo se fortalece com exercício, os sentidos espirituais se aperfeiçoam com prática e intimidade com Deus.
Não nascemos percebendo tudo; aprendemos pouco a pouco.
Como diz Hebreus 5:14: “Mas o alimento sólido é para os perfeitos, os que, por uso, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.”
A palavra “exercitados” é a mesma de onde vem “ginástica”: esforço, repetição, constância.
Como treinamos os sentidos espirituais?
Primeiro, pela Palavra.
Quem lê e medita diariamente passa a reconhecer a Voz de Deus com mais rapidez.
O que antes parecia confuso, agora fica claro.
O que antes parecia bom, agora percebe que leva à queda.
A Palavra é como luz que afia a nossa visão interior (Salmo 119:105).
Segundo, pela oração.
Quem conversa com Deus todos os dias O conhece melhor.
Assim como reconhecemos a voz de quem amamos ao telefone, mesmo sem ver o rosto, também reconhecemos o tom da Voz de Deus quando passamos tempo com Ele.
A oração treina o ouvido para ouvir no silêncio.
Terceiro, pela obediência.
Quando fazemos o que Deus já disse, mesmo sem entender tudo, Ele nos mostra mais.
Quem é fiel no pouco, recebe mais clareza.
Quem obedece com sinceridade, passa a sentir com mais precisão o que Lhe agrada e o que não agrada.
Quarto, pela convivência com irmãos maduros. “O ferro afia o ferro; e o homem afia o rosto do seu amigo” (Provérbios 27:17).
Estar perto de quem já caminha há tempo com Deus nos ajuda a perceber o que ainda não enxergamos sozinhos.
Eles nos alertam com amor quando o caminho está escorregadio.
Treinar os sentidos não acontece de um dia para o outro.
Há dias em que parece que não sentimos nada — e mesmo assim continuamos fiel, porque aprendemos a confiar em Deus e não apenas nas nossas sensações.
É um processo, mas quem persevera recebe uma vida mais rica, mais clara e mais próxima do Senhor.
Que possamos dizer com o salmista: “A minha alma segue-te de perto; a tua destra me sustém” (Salmo 63:8).
CAPÍTULO 9 — QUANDO OS SENTIDOS FALHAM: A FÉ QUE VAI ALÉM DO QUE SE SENTE
Há momentos em que os olhos não veem saída, os ouvidos não escutam resposta, e parece que Deus se afastou.
A doença pode tirar a força, a tristeza pode escurecer a visão, a solidão pode silenciar tudo ao redor.
Nessas horas, a fé precisa caminhar sem depender do que se sente. Como dizemos com frequência: a fé não é sentimento — é confiança firme Naquele que é fiel.
O profeta Habacuque passou por isso.
Ele olhou ao redor e viu violência, injustiça, destruição. Disse:
Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides… e os rebanhos sejam cortados do aprisco, e não haja gado nos currais, eu, contudo, me regozijarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17–18).
Quando os sentidos só veem perda, a fé lembra quem é Deus.
Jó também viveu isso. Perdeu tudo: riquezas, família, saúde.
Os olhos enchiam-se de lágrimas, a pele doía, a boca provava amargura.
Mesmo assim, declarou:
Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25).
A fé vai além do que os sentidos conseguem captar.
Ela se firma na promessa, não na circunstância.
Jesus mesmo passou por um momento em que tudo pareceu escuro.
Na cruz, gritou: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Mateus 27:46).
Ele sentiu o peso da separação — mas não duvidou do Pai.
Entregou a alma nas mãos dEle.
E a vida veio depois da escuridão.
Se hoje você não sente a presença de Deus como antes, não se afaste.
Continue buscando.
O amor de Deus não depende do seu sentimento; ele é firme, eterno e imutável. Como diz Hebreus 13:8: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e para sempre.”
Os sentidos podem falhar, mas a Palavra dEle permanece.
Confie Nele mesmo quando não sentir nada.
É exatamente nesses momentos que a fé brilha mais forte.
CAPÍTULO 10 — DEVOLVENDO OS SENTIDOS AO DOADOR: VIVER PARA A GLÓRIA DE DEUS
Chegamos ao último capítulo, e a conclusão é simples e profunda: tudo o que temos veio de Deus, e tudo o que temos deve ser usado para Ele.
Os olhos, os ouvidos, o nariz, a boca, as mãos — não são nossos. São dons do Doador.
E a maior honra que podemos dar é devolvê-los em serviço e adoração.
O apóstolo Paulo escreve com clareza:
Não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?
Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Coríntios 6:19–20).
Devolver os olhos a Deus significa: olhar para o que é puro, cuidar de quem precisa, contemplar a Sua beleza e não se deixar levar pelo que destrói.
Devolver os ouvidos a Deus significa: ouvir a Palavra, escutar quem sofre, aconselhar com sabedoria e fechar os ouvidos ao que não edifica.
Devolver o nariz a Deus significa: viver de tal forma que a nossa vida seja um aroma de Cristo; levar esperança onde há desespero.
Devolver a boca a Deus significa: falar a verdade com amor, consolar, abençoar, agradecer e nunca usar a língua para ferir.
Devolver as mãos e o toque a Deus significa: acolher, servir, trabalhar com honestidade, curar com palavras e gestos, proteger o fraco.
Que cada manhã, ao abrir os olhos, você possa dizer: “Senhor, estes olhos são Teus.
Usa-os.
Estes ouvidos são Teus.
Guia-os. Esta vida é Tua.
Faz dela o que Te agrada.”
Não guarde os sentidos para si.
Não os use para vaidade, nem para ressentimento, nem para o que passa.
Entregue-os ao Senhor.
E verá que a vida ganha outro sabor, outra luz, outro som — porque já não é você quem vive, mas Cristo vive em você (Gálatas 2:20).
E um dia, na eternidade, os nossos sentidos serão aperfeiçoados de vez.
Nada doerá, nada ferirá, nada enganará. Veremos a face de Deus e O ouviremos falar diretamente.
E entenderemos, finalmente, que cada olhar, cada som, cada toque nesta vida foi apenas um ensaio do que será para sempre: viver em Sua presença.
ORAÇÃO FINAL
Senhor Deus, Pai da luz e Criador de tudo que existe,
eu venho diante de Ti com gratidão no coração.
Obrigado por cada sentido que me deste — olhos que veem, ouvidos que ouvem, mãos que tocam,
boca que prova e nariz que sente o Teu amor em cada detalhe da vida.
Perdoa-me, Senhor, por tantas vezes ter usado estes dons para o que não era Teu.
Perdoa os olhos que cobiçaram, os ouvidos que escutaram fofocas,
a boca que feriu, as mãos que se fecharam, o coração que se afastou.
Purifica cada parte do meu ser. Lava-me com o Teu sangue.
Faz de mim um vaso novo.
Agora, Senhor, eu entrego os meus sentidos ao Teu cuidado.
Que os meus olhos vejam como Tu vês — com compaixão e verdade.
Que os meus ouvidos ouçam primeiro a Tua Voz, e dela não se afastem.
Que a minha vida exale o Teu aroma de amor e perdão por onde eu for.
Que a minha boca prove sempre a Tua bondade e fale da Tua graça.
Que as minhas mãos levem o Teu toque de cura e acolhimento aos que precisam.
E quando eu não sentir nada, quando a escuridão vier,
que a minha fé se firme em Ti, que és invisível mas estás sempre perto.
Usa-me, Senhor.
Que os meus sentidos sejam instrumentos da Tua glória,
hoje e para sempre.
Em nome de Jesus, amém.

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