LIVRO QUEM ESTÁ USANDO A SUA BOCA
Autor: Carlos Alberto Cândido da Silva
Ministério: Assembleia de Deus Providência do Céu
Contato: (11) 95725-5927
Data: 13/10/2026
DEDICATÓRIA
Dedico este livro a cada filho de Deus que deseja guardar o coração, purificar as palavras e ser instrumento de bênção e não de ferimento.
Que o Senhor nos ensine a usar a nossa boca para edificar e não para destruir.
Que cada palavra que sai dos nossos lábios seja agradável aos olhos do Senhor e leve consolo aos que precisam.
"Se alguém não tropeça no que diz, esse é homem perfeito, capaz também de refrear todo o corpo." — Tiago 3:2
SUMÁRIO
Capítulo 1: A boca é um poder — quem está no comando?
Capítulo 2: A fofoca: fogo que se espalha silenciosamente
Capítulo 3: Você também é responsável pelo que ouve
Capítulo 4: Quando a conversa vira veneno na sua alma
Capítulo 5: O preço de repetir o que não é verdade
Capítulo 6: Sabedoria para saber quando calar e quando falar
Capítulo 7: Como encerrar conversas que não vêm de Deus
Capítulo 8: Reparando o mal que espalhamos — o caminho do perdão
Capítulo 9: Transformando a língua em instrumento de bênção
Capítulo 10: Uma vida que fala mais alto que as palavras
INTRODUÇÃO
Antes de atender aquela ligação, aquela mensagem no WhatsApp, aquela fofoca ou mexerico, aquela conversa no Facebook, Instagram, ou mesmo numa visita à casa de alguém — lembre de como você fica quando ela termina. Seu coração perde a paz, você começa a desconfiar de quem amava e já não consegue orar sem repetir na cabeça o que ouviu.
Tem conversa que acaba no telefone, mas continua ferindo por dentro.
E dói perceber que você emprestou seus ouvidos a quem queria transformar a dor dela em ódio dentro de você.
Talvez você também tenha passado adiante. Talvez alguém esteja chorando por uma história que você repetiu sem nem saber se era verdade.
Mas ainda dá tempo de parar, pedir perdão e corrigir o que espalhou.
Não se conforme em ser essa pessoa.
Nem aceite continuar sendo alimentado por isso.
Você não precisa ouvir até o fim para provar educação, nem manter acesso aberto para provar que é cristão.
Se alguém insiste em te procurar para difamar, provocar ódio e colocar irmão contra irmão, encerre a conversa.
Se insiste, bloqueie.
Perdoar não obriga você a continuar ouvindo aquilo que adoece o seu coração.
Também não significa esconder erros: uma denúncia verdadeira precisa de cuidado e responsabilidade, não de uma corrente de fofocas.
Pense naquela pessoa que chegou à igreja quase sem forças, depois de tantas noites chorando sozinha.
Ela precisava encontrar cuidado.
Que dor seria se ela encontrasse na nossa boca mais uma razão para desistir.
Senhor Jesus, perdoa as vezes em que ferimos quem deveríamos cuidar.
Dá-nos coragem para reparar o mal que fizemos e fechar a porta para as conversas que nos ensinam a odiar.
"Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda." — Provérbios 26:2
CAPÍTULO 1
A BOCA É UM PODER — QUEM ESTÁ NO COMANDO?
A Bíblia diz em Provérbios 18:21: "A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto.
Esta é uma das verdades mais profundas e sérias de toda a Palavra de Deus.
A nossa boca não é apenas um órgão do nosso corpo; é um instrumento de enorme poder. Com ela podemos abençoar ou amaldiçoar, curar ou ferir, construir ou destruir.
Mas aqui está uma pergunta que precisamos fazer a nós mesmos: quem está usando a sua boca?
Será que é o Espírito Santo de Deus, ou será que é a raiva, a curiosidade, a inveja, a vontade de aparecer, ou até mesmo um espírito de divisão que está falando através de você sem você perceber?
Tiago, em sua carta, nos ensina com clareza impressionante:
O mesmo língua usamos para bendizer o Senhor e Pai; e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.
Da mesma boca procedem bênção e maldição.
Isto, meus irmãos, não pode ser assim." (Tiago 3:9-10).
Note que ele diz: "não pode ser assim".
Não é apenas "não deveria ser assim" — é uma coisa que não combina com a natureza de quem pertence a Deus.
Muitas vezes não percebemos que, ao falar certas coisas, não estamos mais sendo nós mesmos.
Estamos sendo usados. Alguém plantou uma semente na nossa mente, ela cresceu no coração, e agora está saindo pela nossa boca.
E quando sai, já não volta.
As palavras são como flechas lançadas: uma vez que partem, não há como pegá-las de volta.
Jesus explicou de onde vêm as palavras:
O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal.
Porque da abundância do coração fala a boca." (Lucas 6:45).
Se a boca fala o que o coração está cheio, então cuidar da boca começa cuidando do coração.
Se há amargura, ciúme ou julgamento dentro de você, cedo ou tarde ele vai sair pelas suas palavras.
Não adianta apenas tentar "falar menos"; é preciso pedir a Deus que renove a fonte.
Quem controla a sua boca?
É você, guiado pelo Espírito Santo?
Ou são as circunstâncias, as emoções do momento, as pessoas ao seu redor, ou até forças espirituais que se aproveitam de momentos de descuido?
A escolha é sua, mas as consequências são eternas.
Cada palavra que você diz é uma semente que você planta — e você colherá exatamente aquilo que plantou.
Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará." (Gálatas 6:7).
CAPÍTULO 2
A FOFOCA: FOGO QUE SE ESPALHA SILENCIOSAMENTE
"O mexerico é um sussurro que se torna um grito em todo o lugar." — Provérbios 26:22
A fofoca é talvez um dos pecados mais comuns e menos percebidos dentro da igreja.
Por que? Porque ela aparece disfarçada de "preocupação", de "compartilhar uma informação importante", de "você precisa saber disso para se proteger".
Mas a Palavra de Deus não se deixa enganar por esses disfarces.
Ela diz claramente que a fofoca é uma abominação ao Senhor.
Provérbios 6:16-19 lista aquilo que Deus odeia, e entre eles está: "língua mentirosa, e aquele que semeia discórdia entre irmãos.
Semeia discórdia — é exatamente isso que a fofoca faz.
Ela não chega com uma espada na mão, mas causa mais destruição do que qualquer arma física.
Uma casa pode levar décadas para ser construída e poucos dias para ser destruída por palavras mal ditas.
Uma amizade de anos pode acabar com uma única frase dita na hora errada, para a pessoa errada.
O fogo começa pequeno.
Uma primeira pessoa conta algo para uma segunda: "só entre nós, não conte para ninguém, mas ouvi dizer que...".
E então aquela pessoa conta para outra, também pedindo segredo, e aquela para outra ainda.
Como um incêndio na floresta que começa com uma faísca, aquela pequena conversa cresce, ganha formas, ganha exagero, e quando percebemos, toda a igreja, toda a rua, toda a cidade já está falando daquilo — e quase nunca a história é verdadeira.
A Bíblia nos alerta:
Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda." (Provérbios 26:20).
A fofoca precisa de combustível para continuar — e esse combustível é VOCÊ.
Quando você ouve, você está dando permissão.
Quando você não diz "isso não deveria estar sendo dito", você está concordando.
Quando você repete, mesmo que com boas intenções, você está sendo lenha naquele fogo.
Muitos dizem: "mas é verdade, então posso falar".
Não necessariamente.
Até mesmo uma informação verdadeira pode ser usada para ferir, para difamar, para destruir.
A verdade sem amor e sem sabedoria se torna uma arma.
Jesus é a Verdade, mas Ele não andou por aí expondo os erros das pessoas em praça pública.
Ele olhou para a mulher pega em adultério e disse: Nem eu te condeno; vai e não peques mais." (João 8:11).
Há tempo de falar e há tempo de calar.
Há lugar para correção — mas deve ser feita cara a cara, com amor, e com o objetivo de restaurar, não de destruir.
Falai a verdade, cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros." (Efésios 4:25).
Falar a verdade não significa espalhar tudo que se sabe sobre os outros.
CAPÍTULO 3
VOCÊ TAMBÉM É RESPONSÁVEL PELO QUE OUVE
Nós costumamos pensar que a culpa é só de quem fala.
Mas a Palavra de Deus nos mostra que quem ouve também tem uma grande responsabilidade.
Sem ouvidos dispostos a ouvir, a fofoca não tem para onde ir.
Provérbios 17:4 diz: "O ímpio atenta para os lábios mentirosos; o mentiroso dá ouvidos à língua maldizente.
Veja: a pessoa que escolhe ouvir está se identificando com aquilo que ouve.
Se você se deleita em ouvir sobre os erros dos outros, algo precisa ser ajustado dentro do seu coração.
Muitas vezes dizemos: "eu não repito, só ouço para ser educado".
Mas a Palavra de Deus pergunta: por que você está alimentando a sua mente com aquilo que não edifica?
Por que você está guardando espaço no seu coração para histórias que ferem a vida de alguém que Jesus morreu para salvar?
"Não andeis ansiosos, mas em tudo, com oração e súplica, os vossos pedidos sejam conhecidos diante de Deus.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus.
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai." — Filipenses 4:6-8
Paulo nos diz exatamente com que tipo de pensamento devemos nos ocupar.
Ele não diz "tudo o que é interessante", "tudo o que é novo", "tudo o que os outros estão falando".
Ele lista coisas nobres, puras, verdadeiras.
Quando você permite que histórias sujas, exageradas ou maldosas entrem pela sua audição, você está abrindo a porta para que elas morem dentro de você.
E com o tempo, aquilo que você ouve começa a moldar a forma como você enxerga as pessoas.
Você deixa de ver um irmão ou irmã em Cristo e passa a ver apenas os erros que foram contados sobre eles.
O apóstolo Paulo nos ensina a fechar os ouvidos com sabedoria:
Evita as conversas vãs e profanas, porque conduzem a mais impiedade." (2 Timóteo 2:16).
Você não precisa ser rude, não precisa gritar com a pessoa.
Mas pode dizer com bondade e firmeza:
Eu prefiro não ouvir conversas sobre outras pessoas.
Se há um problema, vamos orar por ela, ou melhor ainda, vamos falar com ela diretamente.
Quando você faz isso, você está protegendo a sua alma e também ajudando aquela pessoa a parar de ferir os outros.
Se ela não encontra ouvidos dispostos, com o tempo ela para de falar. Se ela encontra, ela continua — e você se torna cúmplice.
CAPÍTULO 4
QUANDO A CONVERSA VIRA VENENO NA SUA ALMA
Você já notou como se sente depois de ouvir uma conversa sobre os erros de outra pessoa? Seu coração fica pesado?
Sua paz se vai?
Você perde a vontade de orar?
Isso não é sensibilidade à toa.
É o Espírito Santo te avisando: aquilo não vem de Deus.
"Não sabeis que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?" — 1 Coríntios 3:16
Quando você ouve maldades sobre alguém, mesmo que não diga nada, aquilo entra como uma semente de desconfiança, de julgamento, de amargura.
Você passa a olhar para aquela pessoa com outros olhos.
Antes era um irmão querido; agora é "a pessoa que fez aquilo que ouvi dizer".
E mesmo que depois descubra que era mentira, aquela marca já foi feita.
Não é fácil apagar uma impressão que foi gravada no coração.
Jesus disse:
Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, a fraude, a dissolução, a inveja, a maledicência, a soberba, a loucura.
Todas estas maldades saem de dentro e contaminam o homem." (Marcos 7:21-23).
Note que Ele inclui a maledicência — falar mal de alguém — entre as coisas que contaminam o homem.
Não é algo pequeno aos olhos de Deus.
E ainda mais profundo: quando você guarda aquelas histórias no coração, você perde a capacidade de amar aquela pessoa como Jesus ama.
Você não consegue mais orar por ela com sinceridade.
Você vê ela chegando na igreja e logo aquelas lembranças voltam à mente.
E você se pergunta: por que perco a paz tão facilmente?
A resposta pode estar no que você tem permitido entrar pelos seus ouvidos.
O salmista orou uma oração que deveria ser a nossa também: "Põe, Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta dos meus lábios." (Salmos 141:3).
Mas precisamos orar também:
Guarda o meu coração e os meus ouvidos.
Porque aquilo que entra nos ouvidos acaba no coração, e aquilo que está no coração transborda pela boca.
Se você está sentindo que perdeu a alegria, que a oração está pesada, que os irmãos parecem tão distantes de você, pergunte ao Senhor:
Há alguma conversa que eu tenho ouvido que não deveria estar ouvindo?
Há alguma história que eu guardo no coração que está roubando a minha paz?"
A resposta pode te surpreender.
CAPÍTULO 5
O PREÇO DE REPETIR O QUE NÃO É VERDADE
"A língua mentirosa odeia aqueles que ela atinge, e a boca lisonjeira opera a ruína." — Provérbios 26:28
Quantas vezes repetimos algo dizendo: "não sei se é verdade, mas ouvi dizer que...
Como se essa frase nos isentasse de qualquer responsabilidade.
Mas não isenta.
Se você não sabe se é verdade, não deveria estar dizendo para ninguém.
Ponto final.
A Bíblia é clara sobre o peso das nossas palavras:
Mas eu vos digo que de toda palavra ociosa que os homens disserem, darão conta dela no dia do juízo.
Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado." (Mateus 12:36-37).
Toda palavra — não apenas as mentiras intencionais, mas também as palavras ditas sem cuidado, sem verificação, sem necessidade.
Imagine uma pessoa que sofre com depressão ou problemas familiares.
Alguém vê ela saindo de um lugar e diz: "sabe, eu acho que ela..." — e inventa uma história.
Aquela história chega aos ouvidos daquela pessoa.
Ela chora a noite inteira. Sente-se rejeitada.
Tem vergonha de aparecer na igreja.
Talvez até pense que ninguém a ama.
E tudo isso porque alguém não conseguiu segurar a sua língua.
Quem vai devolver a paz daquela pessoa?
Quem vai consertar o coração que foi ferido?
Palavras são como cacos de vidro quebrados — mesmo quando você junta os pedaços, as marcas ficam para sempre.
O apóstolo Pedro nos adverte:
E amai-vos sinceramente todos; tende compaixão uns dos outros; amai como irmãos; sede misericordiosos; sede afáveis, não retribuindo mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo." (1 Pedro 3:8-9).
Quando repetimos uma história que pode ser falsa, estamos fazendo exatamente o oposto disso.
Estamos devolvendo mal sem nem mesmo conhecer a pessoa ou a situação completa.
Há uma promessa poderosa para aqueles que guardam a língua:
Quem guarda a sua boca e a sua língua, guarda a sua alma das angústias." (Provérbios 21:23).
Quando você se abstém de espalhar notícias sobre os outros, você não apenas protege eles — você protege a si mesmo.
Porque não terá que viver com a consciência de ter causado dor.
Não terá que se preocupar quando a pessoa descobrir que foi você.
Não terá que pedir perdão a Deus e à pessoa que foi prejudicada.
E se já aconteceu?
A graça de Deus é maior que o nosso erro.
Mas vamos falar sobre isso no capítulo 8.
CAPÍTULO 6
SABEDORIA PARA SABER QUANDO CALAR E QUANDO FALAR
"Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de despedir; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de calar e tempo de falar." — Eclesiastes 3:1-7
Sim, há tempo de falar.
Mas a maioria das pessoas erra porque não sabe identificar quando é tempo de calar.
Muitos falam porque acham que têm algo importante a dizer, mas na verdade estão apenas alimentando o próprio ego ou a própria curiosidade.
A sabedoria de Deus nos ensina que calar não é sinal de ignorância ou de fraqueza — é sinal de maturidade espiritual.
Provérbios nos dá muitos conselhos sobre isso:
- "Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio; e o que cerra os seus lábios, como entendido." — Provérbios 17:28
- "No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os seus lábios faz com que proceda com sabedoria." — Provérbios 10:19
- "O que conhece guarda as suas palavras, e o homem de entendimento é de espírito sereno." — Provérbios 17:27
Quando é tempo de falar?
Quando a verdade precisa ser dita em amor para restaurar uma pessoa; quando alguém está sendo injustiçado e você pode defender com provas; quando suas palavras podem consolar, instruir ou abençoar.
Quando é tempo de calar?
Quando você não tem certeza se é verdade; quando falar só vai ferir; quando a pessoa não pediu sua opinião; quando é apenas curiosidade ou entretenimento; quando a história não é da sua conta.
Mas e se alguém vem até você com uma informação que realmente precisa ser compartilhada?
Como diferenciar uma denúncia necessária de uma fofoca?
A diferença está no coração e no objetivo:
- ✅ Falar para restaurar, com amor, cara a cara → Correção bíblica (Mateus 18:15-17)
- ❌ Falar para vários outros sem conhecimento da pessoa → Fofoca
- ✅ Falar com quem pode ajudar ou resolver → Responsabilidade
- ❌ Falar com quem nada pode fazer além de julgar → Maledicência
Paulo escreve:
Portanto, abandonando a mentira, falai a verdade cada um com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.
Se vos irais, não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo." (Efésios 4:25-27).
Note que ele diz: não mintam, mas também não deem lugar ao diabo. E como damos lugar a ele?
Através de conversas que não edificam, através de ira não resolvida, através de histórias espalhadas sem necessidade.
Quando você escolhe calar diante de uma fofoca, você está fechando uma porta para o inimigo trabalhar na sua vida e na sua igreja.
CAPÍTULO 7
COMO ENCERRAR CONVERSAS QUE NÃO VÊM DE DEUS
"O homem prudente vê o mal e esconde-se; mas os simples passam adiante e são punidos." — Provérbios 22:3
Você não é obrigado a ouvir tudo que alguém quer te dizer.
Isso é uma verdade que precisamos gravar no coração.
Muitos de nós aceitamos ouvir porque não queremos ser rudes, não queremos ofender, achamos que é falta de educação interromper.
Mas a sua paz e a sua pureza espiritual valem mais do que agradar a uma pessoa que está tentando jogar lixo no seu coração.
A Palavra de Deus nos ensina a usar sabedoria e firmeza.
Não precisa ser agressivo.
Não precisa gritar.
Mas precisa ser claro. Aqui estão algumas orientações práticas baseadas na Escritura:
1. Identifique o perigo antes de entrar — Se a pessoa começa dizendo "só entre nós, não conte para ninguém", ou se o assunto é sobre os erros de alguém que não está presente, já é um sinal de alerta.
Provérbios 20:19 diz: "O que anda falando por aí revela segredos; portanto, não te associe com quem anda falando muito."
2. Com bondade, recuse ouvir — Você pode dizer com carinho:
Eu prefiro não falar sobre isso.
Se há um problema com essa pessoa, vamos orar por ela, ou melhor, vamos conversar com ela diretamente para resolver."
Isso é amor verdadeiro — você está protegendo a si mesmo e também ajudando aquela pessoa a não continuar pecando com a língua.
Como diz Provérbios 27:6: "Fiéis são as feridas de um amigo, mas os beijos de um inimigo são enganosos.
Ser verdadeiramente amigo é dizer "isso não está certo", mesmo que doa um pouco agora.
3. Encerre a conversa se persistir — Se a pessoa não aceita e continua insistindo, você pode dizer com firmeza, mas sem raiva:
Me perdoe, mas eu vou me retirar dessa conversa.
Não quero colaborar com isso.
E se for necessário bloquear contatos para proteger sua paz, faça isso sem culpa.
Jesus mesmo se afastou de pessoas que não tinham ouvidos para a verdade.
Ele não gastou tempo com aquilo que não produzia fruto.
4. Não se sinta obrigado a explicar — Você não precisa justificar sua decisão. Seu compromisso primeiro é com Deus.
Como diz Jesus em Mateus 10:16: "Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas.
Prudência é saber quando se proteger. Simplicidade é fazer isso sem maldade no coração.
Perdoe a pessoa, ame-a, ore por ela — mas não se deixe arrastar para o erro junto com ela.
Não participes dos pecados alheios; guarda-te a ti mesmo em pureza." (1 Timóteo 5:22).
CAPÍTULO 8
REPARANDO O MAL QUE ESPALHAMOS — O CAMINHO DO PERDÃO
"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça." — 1 João 1:9
Se você percebeu que já feriu alguém com suas palavras, se já espalhou histórias que não deveria, se já foi causa de dor para alguém — há boas notícias para você hoje: a graça de Deus é maior que qualquer palavra mal dita.
Mas o perdão de Deus não dispensa o nosso esforço para reparar o mal que fizemos.
Zacarias 7:9-10 nos lembra: "Assim diz o Senhor dos Exércitos: Executai juízo verdadeiro, e fazei misericórdia e compaixão cada um ao seu próximo; e não oprimais a viúva, nem o órfão, o estrangeiro, nem o pobre; e ninguém pense mal no seu coração contra o seu próximo.
Quando pensamos mal e falamos mal, precisamos corrigir isso.
O caminho da restauração tem passos claros na Palavra de Deus:
Passo 1: Confesse a Deus primeiro — Reconheça diante do Senhor:
Senhor, eu pequei com a minha língua.
Falei o que não deveria, feri quem não merecia. Perdoa-me e purifica o meu coração.
Como diz o Salmo 51:17: "As ofertas a Deus são o espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não o desprezarás."
Passo 2: Peça perdão à pessoa que foi ferida — Isso pode ser difícil, mas é necessário. Diga simplesmente:
Eu falei sobre você sem necessidade, e isso foi errado.
Me perdoe.
Eu não tenho direito de julgar ou expor sua vida.
Que Deus me perdoe e que um dia você possa me perdoar também.
Não invente desculpas.
Não diga "mas eu ouvi de alguém".
Assuma sua responsabilidade.
Aquele que encobre as suas transgressões não prosperará, mas o que confessa e abandona encontrará misericórdia." (Provérbios 28:13).
Passo 3: Corrija onde espalhou — Se você contou para outras pessoas e sabe quem são, vá até elas e diga:
Aquela história que eu contei sobre tal pessoa, eu não deveria ter falado.
Não tenho certeza se é verdade, e mesmo que fosse, não era meu lugar espalhar.
Por favor, não repitam isso.
Que Deus nos perdoe.
Isso requer muita humildade, mas é o caminho da restauração completa.
Passo 4: Decida não repetir mais — O verdadeiro arrependimento produz mudança.
Como diz João Batista: "Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento." (Lucas 3:8).
Peça ao Espírito Santo que te lembre sempre que alguém começar a falar sobre outros.
Que você ouça dentro de si aquela pergunta silenciosa:
Isso edifica?
Isso é verdade?
Isso é necessário?"
E quando a resposta for não, escolha calar ou se afastar.
CAPÍTULO 9
TRANSFORMANDO A LÍNGUA EM INSTRUMENTO DE BÊNÇÃO
"Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis aos teus olhos, Senhor, minha rocha e meu redentor." — Salmo 19:14
A língua é difícil de domar.
Tiago diz claramente:
Por todos os tipos de animais, aves, répteis e seres do mar se amansam e foram amansados pela natureza humana; mas a língua, nenhum homem pode amansar; é um mal inquieto, cheia de veneno mortal." (Tiago 3:7-8).
Sozinhos, não conseguimos. Mas com Deus tudo é possível.
Ele pode transformar aquela que era instrumento de destruição em instrumento de bênção.
Como acontece essa transformação?
Não é com esforço apenas, mas com uma mudança de dentro para fora:
1. Deixe a Palavra de Deus habitar ricamente em você — "A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinando e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando com graça nos vossos corações ao Senhor." (Colossenses 3:16).
Quanto mais você se enche da Palavra de Deus, menos espaço fica para conversas vazias e prejudiciais.
Se o coração está cheio de Deus, é Ele quem transborda pela sua boca.
2. Peça ao Espírito Santo para te ensinar a falar — "E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós em salmos e hinos e cânticos espirituais, cantando e fazendo melodia ao Senhor no vosso coração." (Efésios 5:18-19).
Quando você é guiado pelo Espírito Santo, suas palavras mudam.
Você passa a perguntar antes de falar: "O Senhor quer que eu diga isso? Isso vai ajudar ou ferir?"
3. Use sua boca para edificar, não para destruir — "Portanto, abandonando toda a maldade, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as maledicências, desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o puro leite da palavra, para que por ela cresçais para a salvação." (1 Pedro 2:1-2).
Note que ele coloca as maledicências junto com a maldade e o engano. E nos diz: abandonem isso.
Usem suas palavras para consolar os tristes, fortalecer os fracos, encorajar os que estão desanimados.
Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para edificação, conforme a necessidade, para que ministre graça aos que a ouvem." (Efésios 4:29).
Que cada palavra que sai da sua boca deixe as pessoas sentindo-se mais amadas, mais valorizadas, mais próximas de Deus.
4. Ore antes de falar — Faça do Salmo 141:3 sua oração diária: "Põe, Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta dos meus lábios."
Quando alguém te faz uma pergunta, quando alguém te conta algo sobre outra pessoa, respire fundo e ofereça aqueles segundos ao Senhor: "Senhor, o que devo dizer?
Ou devo calar?" Deus sempre responderá.
CAPÍTULO 10
UMA VIDA QUE FALA MAIS ALTO QUE AS PALAVRAS
"Porque não é aquilo que entra na boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é que contamina o homem." — Mateus 15:11
Chegamos ao fim deste livro, mas este é apenas o começo de uma nova caminhada.
Que cada página tenha plantado em seu coração um desejo maior de guardar sua língua, de proteger seu coração e de ser instrumento de bênção.
Lembre-se: uma vida que fala mais alto que as palavras não é aquela que nunca erra, mas aquela que reconhece quando erra, se arrepende, e permite que Deus transforme seus erros em sabedoria para os outros.
Que as pessoas vejam em você alguém que fala pouco mas ora muito, alguém que ouve mais do que opina, alguém que guarda os segredos dos outros como se fossem seus próprios, alguém que escolhe o silêncio sábio em vez da palavra precipitada.
E quando alguém vier até você com uma história, uma fofoca, um mexerico — lembre-se daquela pessoa que chegou à igreja chorando, que precisava de cuidado e encontrou apenas julgamento em forma de palavras espalhadas.
Não seja mais um motivo de dor. Seja o lugar onde as pessoas encontram refúgio, não mais uma exposição.
Seja quem Deus chamou você para ser: sal da terra e luz do mundo.
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus." (Mateus 5:16).
Que o Senhor nos ensine a usar nossa boca para contar sobre o Seu amor, sobre a Sua graça, sobre o que Ele fez por nós.
Que as histórias que espalhamos sejam histórias de redenção, de cura, de transformação.
Que quando abrirmos a boca, as pessoas sintam que Jesus está presente em nossas palavras.
E que quando precisarmos calar, nosso silêncio também pregue sobre a santidade e o temor do Senhor.
"E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para os homens." — Colossenses 3:23
ORAÇÃO FINAL
Senhor Jesus, eu venho até Ti hoje pedindo perdão por todas as vezes em que usei minha boca de forma errada.
Perdoa-me pelas palavras que feriram, pelas histórias que espalhei sem saber se eram verdade, pelas conversas que ouvi e pelas que participei.
Purifica meu coração, Senhor. Coloca uma guarda sobre meus lábios e sobre meus ouvidos.
Que eu saiba quando ouvir, quando falar e quando calar.
Que minha boca seja sempre instrumento de bênção e nunca de destruição.
E se alguém me procurar para falar mal de outro, dá-me coragem de encerrar a conversa com amor e firmeza.
Transforma minha língua, Senhor, para que dela só saia o que é verdadeiro, puro, amável e edificante.
Em nome de Jesus, amém.
PALAVRA FINAL DO AUTOR
Querido irmão e irmã, este livro foi escrito com o coração nas mãos e com o desejo sincero de que possamos viver de forma que nossas palavras reflitam o caráter de Cristo em nós.
Não é fácil mudar hábitos de uma vida toda, mas com o auxílio do Espírito Santo, tudo é possível.
Se precisar de oração ou aconselhamento, entre em contato.
Que a paz do Senhor esteja sobre cada um de vocês.
